Mariel Fernandes

Vida passarinha

VãoQuanto caminhei, não sei. Mas entendi a solidão dos perdidos, a canção dos aflitos, o silêncio dos espíritos, o amor viria. Quanto calei, como dizer? O que vi me contradisse, o que jurei me aprisionou, ignorei o conhecido. Consolei os crentes da esperança alheia, desfraldei bandeiras denunciando abusos, socorri marujos desorientados, o amor sabia. Em cada alvoroço, em cada canelada, nos momentos de vida seca ou de alma lavada, desconheci o medo, cantei na chuva, ignorei alertas, refiz atalhos e ganhei alguns calos. Fui apontado, voltei de mãos vazias, perdi trens, desci ladeiras, descobri abismos, em todo caminho sabia, o amor queria. Duvidei de crenças, desfiz dos deuses, desdenhei da fé e suas montanhas removidas. Tive dores no peito, o amor resistiria. Caminhei descalço, pisei em falso, comi de tudo, falei em linguas, me contradisse o tempo todo, estive pronto para ir e fiquei. Me comovi, revi gente, planejei resgates, senti saudades, escovei os dentes, escrevi histórias, revirei na cama, suei um pouco, enfrentei o frio, o amor tremia. Então, um dia,  fui para sempre o que sempre seria caso houvesse espaço, e havia. É um pássaro essa vida toda. E pia, voa, assobia. Tem canções cheias de semi tons, momentos extremos, dissonâncias, alternâncias, milhares de sinfonias, vão te acordar quando for o tempo do amor que há.

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4 comentários sobre “Vida passarinha”

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