Mariel Fernandes

D(eu)S

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Acho que Deus tem um bom humor danado. É a minha explicação para a zebra, o rinoceronte e o veado. O bife no ponto, o arroz com linguiça e o ovo cozido pra mim são manifestações divinas, junto com o feijão e muita calda. Estão ali ali com a bicicleta, o pão com margarina e as tirinhas da Mafalda. Ele sopra e faz cosquinha no universo, brinca de pega peca com os cometas e, até onde vejo, consegue equilibrar a vida entre o clássico e o sertanejo. Deus é textual, apaixonado, um grande romântico. Quem mais faria o oceano índico tão lindo quando o marzão atlântico? E as inspirações do Chico? E o slogan da Nyke? E o gol de placa? Por favor, alguém me diga o que é que Ele viu na barata? Deus tem um gosto exuberante, única justificativa para o elefante. Claro que Ele não inventou os vícios, isso é coisa do Vinícios. É de Sua a autoria o Gandhi, a borboleta azul e o cheiro de terra molhada. Bisteca é coisa Dele e sim Senhor. Foi criada por Ele um pouco depois da TV de 58 polegadas. Deus é humor em cada esquina (e não tem nada a ver com aquele gol de mão da Argentina). Seu amor é pleno e incondicional, até mesmo pelos hereges que não torcem pelo Internacional. Inventor de luares, Deus trata com o mesmo carinho absoluto tudo que vive, que respira e transgride. É por isso que peço que Deus nos livre dos medíocres, dos míopes da verdade. Daqueles que confundem efêmero com eternidade, tempo com idade, beleza com vaidade. Deus é escritor, tanto que antes tudo era escuro, até que veio o verbo, a palavra e o Ipad. Foi o que reabilitou a maçã em toda a Sua obra. De qualquer forma, pessoalmente não engoli Adão, Eva e aquela história da cobra. Não acredito num Deus vingança, sem perdão, sem esperança, um Deus solidão. Meu Deus é leve, breve, sorridente e acho que enquanto lia os salmos comia um bom salmão. Deus é uma piada, uma praia vazia, uma lembrança antiga, aquele pulo na lagoa, um dia à toa, uma notícia esperada, todas as chegadas, todas as partidas, um punhado de vida e um bocado de tropeções.

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35 comentários sobre “D(eu)S”

    1. Além do cara que, olhando o que a camiseta do cara diz, chega a uma conclusão mais ou menos evidente: “vou fazer minha própria palavra de ordem”. E então o tempo vai passar, passar, até tenhamos dois grupos mais ou menos organizados. Depois, virão os cronistas. Saudações saudosas de ti, guri.

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    1. Cara, há quanto tempo, hum? Que bom que você apareceu, meeeessssmooo, querido. Pessoalmente, tenho uma relação bem face a face com o Deus, sabe? Ele torce comigo, fica feliz ou zangado, está ali, no dia-a-dia das coisas. É como eu O vejo e sinto. Ter amigos capazes de comentários gentis assim é mais uma prova que alguém lá em cima gosta de mim. Super ano e super abraço.

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    1. O jeito que você acredita (ou mesmo se não acredita) é menos importante do que um fato fundamental. Você existe e a tua existência, essa sim, faz toda a diferença na vida. Também não sei se acredito em Deus, assim aquela fé que remove montanhas e manchas de café. Mas acredito em você, ah como acredito.

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  1. Ah que delícia são esses seus textos!
    E também acredito nesse Deus, que não quer nos punir, mas nos oferecer todas essas coisas lindas da vida, pra gente aprender a cada momento, com tropeços e acertos!

    Beijo!

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  2. Gostei bem do seu Deus leve, breve e bem humorado. O meu também é assim, só que mais irônico e um tanto quanto sacana. Me ocorre que eles devem criar as coisas juntos: um propõe e o outro avacalha… Daí, enquanto você escrevia um deles tirou uma soneca, e saiu esta belezura de texto!

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  3. Mariel, simplesmente genial essa postagem! Sinceramente Deus deve ter ficado muito orgulhoso desse tão inspirado filho. Achei engraçado a ” provocação ” para com os hereges do Internacional, kkk! Quem teve a oportunidade de passar uns tempos em Porto Alegre vai entender bem a provocação, rs.
    Grande abraço,
    Manoel

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      1. Estou sim! Seu texto foi como um sopro na brasa vacilante da minha crença em Deus: esse que você apresentou coincide com o que eu tenho construído pra mim, aos poucos, em substituição àquele que me apresentaram na infância e que mais me assombrava que acolhia! Obrigada por este sopro! E por sua preocupação gentil!

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        1. Essa coisa de sopro na brasa me lembrou um bom churrasco. E não acredito na tua auto proclamada pouca fé. Quem escreve como você escreve é porque acredita no lado bom da força, único lado possível, aliás. Não foi preocupação gentil:foi interesse genuíno.

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