D(eu)S

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Acho que Deus tem um bom humor danado. É a minha explicação para a zebra, o rinoceronte e o veado. O bife no ponto, o arroz com linguiça e o ovo cozido pra mim são manifestações divinas, junto com o feijão e muita calda. Estão ali ali com a bicicleta, o pão com margarina e as tirinhas da Mafalda. Ele sopra e faz cosquinha no universo, brinca de pega peca com os cometas e, até onde vejo, consegue equilibrar a vida entre o clássico e o sertanejo. Deus é textual, apaixonado, um grande romântico. Quem mais faria o oceano índico tão lindo quando o marzão atlântico? E as inspirações do Chico? E o slogan da Nyke? E o gol de placa? Por favor, alguém me diga o que é que Ele viu na barata? Deus tem um gosto exuberante, única justificativa para o elefante. Claro que Ele não inventou os vícios, isso é coisa do Vinícios. É de Sua a autoria o Gandhi, a borboleta azul e o cheiro de terra molhada. Bisteca é coisa Dele e sim Senhor. Foi criada por Ele um pouco depois da TV de 58 polegadas. Deus é humor em cada esquina (e não tem nada a ver com aquele gol de mão da Argentina). Seu amor é pleno e incondicional, até mesmo pelos hereges que não torcem pelo Internacional. Inventor de luares, Deus trata com o mesmo carinho absoluto tudo que vive, que respira e transgride. É por isso que peço que Deus nos livre dos medíocres, dos míopes da verdade. Daqueles que confundem efêmero com eternidade, tempo com idade, beleza com vaidade. Deus é escritor, tanto que antes tudo era escuro, até que veio o verbo, a palavra e o Ipad. Foi o que reabilitou a maçã em toda a Sua obra. De qualquer forma, pessoalmente não engoli Adão, Eva e aquela história da cobra. Não acredito num Deus vingança, sem perdão, sem esperança, um Deus solidão. Meu Deus é leve, breve, sorridente e acho que enquanto lia os salmos comia um bom salmão. Deus é uma piada, uma praia vazia, uma lembrança antiga, aquele pulo na lagoa, um dia à toa, uma notícia esperada, todas as chegadas, todas as partidas, um punhado de vida e um bocado de tropeções.

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Publicado por mariel

Desde 1959 tem sido assim

35 Comments

  1. E Deus não criou a palavra de ordem, mas criou as condições para que existisse a camiseta com a palavra de ordem e o cara dentro dela. Deus, atente para minhas vãs palavras, Douto Mariel…Deus…é do BALACOBACO. Saudações atéias.

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    1. Além do cara que, olhando o que a camiseta do cara diz, chega a uma conclusão mais ou menos evidente: “vou fazer minha própria palavra de ordem”. E então o tempo vai passar, passar, até tenhamos dois grupos mais ou menos organizados. Depois, virão os cronistas. Saudações saudosas de ti, guri.

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  2. Caramba, Mariel! Adorei o post. Você tratou de um assunto tão complexo, que pode ser discutido de uma forma tão massante e desinteressante, de forma simples, com muita leveza e habilidade nas palavras. Parabéns!

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    1. Cara, há quanto tempo, hum? Que bom que você apareceu, meeeessssmooo, querido. Pessoalmente, tenho uma relação bem face a face com o Deus, sabe? Ele torce comigo, fica feliz ou zangado, está ali, no dia-a-dia das coisas. É como eu O vejo e sinto. Ter amigos capazes de comentários gentis assim é mais uma prova que alguém lá em cima gosta de mim. Super ano e super abraço.

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  3. Não acredito em deus e, não dou a ele nenhum crédito por nada. rs Mas gostei do seu escrito e acho que um deus assim, sem o peso das coisas fica mais gostoso, dá até pra levá-lo a ópera num sábado a noite. rs

    bacio

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    1. Deus, se existe, adorou a possibilidade da opera. Não existindo, lamentou. Viu? Você é das Dele!
      Beijo!
      Mariel

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  4. Republicou isso em Meio pão e um livroe comentado:
    Por um belo final de ano de esperanças renovadas, tomo emprestado o otimismo do amigo Mariel…

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    1. Tome uma cerveja, uma champagne e um abraço dos fortes, comadre.
      Super 2014

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      1. Aceito a cerveja, a champanhe e o abraço. E que venha 2014…

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  5. “Deus é humor em cada esquina”

    Mariel, adorei a análise bem humorada, o ritmo, o jogo de palavras.
    Você tornou a imagem de Deus leve e graciosa com uma respeitosa irreverência.

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    1. Oba, oba, oba, que você gostou. Deus é melhor levinho, sempre achei. E respeito também pode sorrir, né? Seu blog é ótimo, vivo espiando. Nem pense em não aparecer mais.

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  6. Que sensibilidade! Devo dizer que não sou das pessoas mais religiosas, mas creio em Deus, do meu jeito. Mas esse seu Deus, é o Deus das coisas simples, o Deus do que está ao nosso lado. É o Deus em quem acredito.
    Perfeito.

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    1. O jeito que você acredita (ou mesmo se não acredita) é menos importante do que um fato fundamental. Você existe e a tua existência, essa sim, faz toda a diferença na vida. Também não sei se acredito em Deus, assim aquela fé que remove montanhas e manchas de café. Mas acredito em você, ah como acredito.

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  7. um deus leve assim nos faz procurar por nossas asas (quase) perdidas

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    1. O quase faz toda a diferença. E só o que está perdido pode ser achado, o que parece ser a melhor notícia. Vou sempre ao seu blog. É bem legal. Bom feriado. E bons voos.

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  8. Meu d(eu)s é sério… o suficiente pra cair na graça, na gargalhada, na simplicidade… na história bem e mal contada… me lembra tua versão bem humorada. Sou novo leitor, parabéns! Estarei por aqui. Abraço

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    1. Estarei por lá também, já que fui mais rápido: tenho faro por ideias boas, o que é o caso de seguir o teu blog. Abraço,

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      1. Obrigado pela parceria, Chefe! E vamos de boas ideias.

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  9. Ah que delícia são esses seus textos!
    E também acredito nesse Deus, que não quer nos punir, mas nos oferecer todas essas coisas lindas da vida, pra gente aprender a cada momento, com tropeços e acertos!

    Beijo!

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    1. Oba, oba, oba. Que bom que você apareceu. Acreditamos em Deus de jeito parecido. E Ele me disse que você escreve muito. Não pare.

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  10. Gostei bem do seu Deus leve, breve e bem humorado. O meu também é assim, só que mais irônico e um tanto quanto sacana. Me ocorre que eles devem criar as coisas juntos: um propõe e o outro avacalha… Daí, enquanto você escrevia um deles tirou uma soneca, e saiu esta belezura de texto!

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    1. Como cê tá, chefia? O que aconteceu, casou de novo, os textos ficaram mais raros… Hum? Seu Deus avacalhador é bem interessante, é só olhar o blog e confirmar o que digo gentes.

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      1. Hum, foi uma indisciplina divina que tomou conta de mim, rs. Tô tentando me livrar dela e postar algo, mas meu deus interior tá dificultando as coisas!

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        1. Preguiça é pecado capital punida com leitura obrigatória da trilogia 50 tons, melhor escrever.

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  11. Esplêndido!

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    1. Eba! Que com que você gostou. Venha sempre que quiser

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  12. Mariel, simplesmente genial essa postagem! Sinceramente Deus deve ter ficado muito orgulhoso desse tão inspirado filho. Achei engraçado a ” provocação ” para com os hereges do Internacional, kkk! Quem teve a oportunidade de passar uns tempos em Porto Alegre vai entender bem a provocação, rs.
    Grande abraço,
    Manoel

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    1. Manoel, você é um querido, tchê! Gostou de Porto? Dizem, não sei, que foi lá que Deus começou a história toda. Super abraço!

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  13. Hehehe… O melhor é que seu texto me fez rir e sorrir :)
    Muito bom mesmo!

    E em relação as baratas… http://cadeiranteemprimeirasviagens.wordpress.com/2011/09/19/e-deus-criou-as-baratas/
    Mesmo com as devidas explicações… eu as dispensaria da vida terrena.

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    1. Acabei de ler de fio a pavio. Concordo totalmente com o lance de se pagar menos se o apartamento foi menor. Baratas são uns bichos muito, muito esquisitos. Adorei o seu texto, como sempre muito bom. E se o meu te fez rir e sorrir, ganhei o dia.

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    1. Aurea, e que assim seja. Tu tá bem?

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      1. Estou sim! Seu texto foi como um sopro na brasa vacilante da minha crença em Deus: esse que você apresentou coincide com o que eu tenho construído pra mim, aos poucos, em substituição àquele que me apresentaram na infância e que mais me assombrava que acolhia! Obrigada por este sopro! E por sua preocupação gentil!

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        1. Essa coisa de sopro na brasa me lembrou um bom churrasco. E não acredito na tua auto proclamada pouca fé. Quem escreve como você escreve é porque acredita no lado bom da força, único lado possível, aliás. Não foi preocupação gentil:foi interesse genuíno.

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