Mariel Fernandes

Pa lavras

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Sem palavras não fico. Não corro esse risco, tenho dito ao longo dos meus escritos. Vivo antes o que digito, duvido do que aponto, vou de ponto a ponto descrevendo minhas interrogações. Corro de frases prontas como o diabo foge da cruz, as deixo tontas, aplico vírgulas, dois tontos, não suporto exclamações, a não ser em situações como é gol do innnter!!!!!!! Tendo visto ou sonhado,  depois é fácil, dou minha palavra ao que transcrevo ou traduzo. É só dizer o que ouço, contar o que houve,  escrita é a vida com todas as letras. Morte é a palavra desencarnada, descrever é um modo de amar e a lembrança inscrita do que fomos, somos ou seremos é um jeito de perdoar. Perdeu? Escreva. Não é seu? Escreva. Doeu? Escreva. O registro é mais do que um alento, é a melhor arma quando o ressentimento cala fundo e se tropeça em pedras, tocos, saudade, desgosto, lembranças, rugas, rusgas, frios e lamentos. E se o sentimento for bom, escreva. Então te ocorrerá chocolate, fim de tarde, sucrilhos, terra molhada, o dia que nos encontramos, o que falamos, onde estivemos, as coisas que não fomos capazes. Jogue limpo com as palavras, elas são lavras, resistirão ao sol, ao frio, ao fim e ao infinito. Servem para anunciar ao mundo que é por você que tudo foi escrito. 

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27 comentários sobre “Pa lavras”

    1. Mas quem não tem um longo percurso pela frente, não precisa melhorar, aperfeiçoar, seguir? Eu combinei já com Deus: Ele é o sujeito perfeito e eu, uma alma que vai se aperfeiçoando o tempo todo. Concordamos que era um bom contrato. Seu trabalho, vendo do outro lado balcão, é uma maravilha: recheado de livros. De verdade, obrigado pela opinião gentil e pelas palavras.

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  1. “escrita é a vida com todas as letras.”
    Mariel,
    Concordo, aliás, com tudo, com cada palavra.
    Você falou por você, por mim, por um monte de gente
    que grita, ama, chora, briga, ri, desaba, enfim, vive no papel com palavras que ditam suas vidas ou que suas vidas ditam.
    Você é tudo de bom!

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  2. digo sim, eu acho que não vivo sem a bendita palavra, o problema é saber dosar… quando escrevo costumo me derramar, espalho tudo nas linhas, enxerto as “entre de evidências. Algumas vezes, depois, me arrependo. Enfim, ao menos consigo um alívio ao desabafar na escrita. Adorei o texto Mariel! Gr. Bj.!

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    1. Acho seu exagero na medida. Acabei de ler (e comentar) algo que me deixou hiper emocionado. Por outro lado, um desses grandes caras já disse que escrever é cortar palavras. Eu não sei quem está certo. Na dúvida, leio. E escrevo. Outro beijo pra ti.

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  3. Grande texto do amigo.

    O rumo da prosa poética está lhe fazendo muito bem: além de dinamizar a fluência do texto, você já está batendo de trivela e conseguindo rechear de muito sentido os jogos de palavras. Que por isso, deixam de ser meros jogos de palavras.

    Parabéns e bom final de semana.

    PS: Por acaso o amigo é de Portinho ?

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      1. ¡ Carácoles !

        Isto que é sensibilidade, o resto é brincadeira.

        Sim, aqui é o Fernandes de origem espanhola, que deveria ser Fernandez, mas que teve o zê nacionalizado por Getulio Vargas.

        Portinho é uma excelente cidade que todo ano se transforma na meca do povo de Software Livre.

        Um final de semena trilegal para o amigo. 8-)

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  4. Primeiro, gostei muito do modo como colocou o título!
    É um prisma muito interessante da blogosfera.

    Depois, pelo texto como um todo!
    Mesmo que eu goste de ilustrar meus textos com citações, me vi em tudo que escreveu.

    E também porque mesmo que um texto só será lido por nós mesmos, o descrever o momento parece que materializa a dor, que por sua vez parece ficar mais fácil a cura.

    No mais, até as abobrinhas ganham um realce quando descritas.

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    1. Sabe que é uma parte divertida pra mim, essa do título. O texto, como vejo, é uma parte da verdade, ela só existe em partes, pelo menos pra gente como eu. Sabe, Lella, procuro viver o que escrevo. Não faço o gênero ficção. As abobrinhas ficam boas com picanha também. Pronto, seu comentário me deu fome.

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  5. Mariel,

    Nem preciso dizer que “concordo” e admiro o teu texto integralmente. Mas, sou daquelas criaturas que buscam a ferida. E, a frase que mais me “doeu” foi: “Jogue limpo com as palavras”.

    Como isso é difícil no mundo de “espetacularização” em que vivemos atualmente, não? Em que as palavras são ditas tão somente para os outros, não para nós. Apesar de esse não ser o problema, e, sim a integridade da palavra dita. Do que se é dito – não para registro, para memória, para “purgar” a alma. Mas, apenas, para aparecer. Também sei lá se isso é um problema. A vulgarização da palavra é só efeito do nosso tempo, não?

    enfim, vou me lembrar da tua frase todas as vezes que escrever:

    “menina, jogue limpo com as palavras”.

    beijo.

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    1. Quarida K, não procure tanto as feridas. A gente procurar o que quer encontrar. Jogar limpo com as palavras é um mantra, elas sabem exatamente o que a gente quer dizer. E nos fogem se quebramos sua confiança. Por isso, quando digo que se recebo um texto teu e te digo que é uma honra e uma alegria poder compartilhar contigo as nossas impressões sobre o dito, isso é o espelho da minha verdade. Continue jogando limpo com as palavras. A vida vai te agradecer, de a até z.

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