Mariel Fernandes

Fé, irmãos

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Gente, um pouco de subversão, por favor. Alguém arrote no teatro ou passe a mão na bunda do Papa. Por um pouco de indisciplina, está tudo muito certinho, no lugar, bonitinho, cheio de supostas inteligências, parecemos um texto do Bial. Nelson Piquet, ensina a rapaziada como se guanha no braço. Chega dessa coisa aborrecida, tipo fazendo bico, perdendo tempo, criando regras, jogos, estipulando metas, agregando valor, adorando o Eike, tremendo de medo do Roberto Justos. Salve Garrincha, fala Cartola, surja Dona Ruth Cardoso, perdoa Dom Helder, ficamos sem fé no taco da gente, até o Blater começou a nos dar conselhos sábios. Então importamos palavras e gestos, medidas, decisões, nos tornamos sérios, respeitosos, seguidores de slogans, temos opiniões razoáveis, sonhamos esquerda, acordamos direita e na real, perdemos a noção de centro. Elegemos o Tiririca e fingimos surpresa ao ver o circo pegando fogo com o respeitável público dentro. Desliguem as TVs por dois fins de semana seguidos pra ver se as emissoras não melhoram rapidinho a programação do domingo. Mas não aguentamos, aguentamos? Então dê-lhe Faustão. Volta Newmar, reencarna Sartre, orienta Dalai, estamos à deriva, perdemos a graça, ficamos sofisticados demais para simplesmente viver e complexos em demasia para viver simplesmente. Gente, cadê a turma que fez o governo tremer? Quem diria, o Gabeira se entalou na GNT. Precisamos de uma geração inteira dizendo não estudo em colégio ruim, dispenso bolsa esmola, é impossível jogar bola de gravata e Nike, eu sei quem costura suas chuteiras. Por um drible indescritível, por uma cinema incrível, por um livro inesquecível, por um governo que não atrapalhe e por ex-presidentes que consigam ir embora. Precisamos de alguns milhares de homens de muita fé, antes que esses caras que plantam montanhas achem que podem mesmo ganhar o jogo. 

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25 comentários sobre “Fé, irmãos”

  1. “parecemos um texto do Bial”, e me ganhou, logo de cara!
    E o texto continua excelente até o fim.

    É aquela verdadezinha que incomoda, mas no fim das contas não nos faz mover grandes “pauzinhos”… Até quando?

    Abraço!

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      1. É verdade, ainda que não tenhamos toda a liberdade de resolver sem a influência de todas essas coisas boas e ruins que nos cercam!

        É a vida… e ainda assim, é bonita!

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  2. “ficamos sofisticados demais para simplesmente viver e complexos em demasia para viver simplesmente…”

    Mariel, eu adoro esta sua graça para montar um baile de palavras que soam como um “rip rop”, e quase cantamos quando lemos, e ainda traz um contexto crítico e produtivo.
    Adorei.

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