Fé, irmãos

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Gente, um pouco de subversão, por favor. Alguém arrote no teatro ou passe a mão na bunda do Papa. Por um pouco de indisciplina, está tudo muito certinho, no lugar, bonitinho, cheio de supostas inteligências, parecemos um texto do Bial. Nelson Piquet, ensina a rapaziada como se guanha no braço. Chega dessa coisa aborrecida, tipo fazendo bico, perdendo tempo, criando regras, jogos, estipulando metas, agregando valor, adorando o Eike, tremendo de medo do Roberto Justos. Salve Garrincha, fala Cartola, surja Dona Ruth Cardoso, perdoa Dom Helder, ficamos sem fé no taco da gente, até o Blater começou a nos dar conselhos sábios. Então importamos palavras e gestos, medidas, decisões, nos tornamos sérios, respeitosos, seguidores de slogans, temos opiniões razoáveis, sonhamos esquerda, acordamos direita e na real, perdemos a noção de centro. Elegemos o Tiririca e fingimos surpresa ao ver o circo pegando fogo com o respeitável público dentro. Desliguem as TVs por dois fins de semana seguidos pra ver se as emissoras não melhoram rapidinho a programação do domingo. Mas não aguentamos, aguentamos? Então dê-lhe Faustão. Volta Newmar, reencarna Sartre, orienta Dalai, estamos à deriva, perdemos a graça, ficamos sofisticados demais para simplesmente viver e complexos em demasia para viver simplesmente. Gente, cadê a turma que fez o governo tremer? Quem diria, o Gabeira se entalou na GNT. Precisamos de uma geração inteira dizendo não estudo em colégio ruim, dispenso bolsa esmola, é impossível jogar bola de gravata e Nike, eu sei quem costura suas chuteiras. Por um drible indescritível, por uma cinema incrível, por um livro inesquecível, por um governo que não atrapalhe e por ex-presidentes que consigam ir embora. Precisamos de alguns milhares de homens de muita fé, antes que esses caras que plantam montanhas achem que podem mesmo ganhar o jogo. 

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Publicado por mariel

Desde 1959 tem sido assim

25 Comments

  1. Mariel,

    Seu jogo de palavras sempre revela e esconde um pouco mais do que aparenta. Gosto, gosto muitooooooo disso.

    Vamos sonhar… mal não há de.

    Gr. Bj.!

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    1. Ebbbbbaaaaaaa então. Sonhar é tão bom que inclusive nem engorda. Grande beijo pra ti também.

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  2. Michele Viviane Vasconcelos 10 de janeiro de 2014 às 5:38 PM

    Sim Mariel! Perfeito!

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    1. Michele, adorei o entusisamo do sim, de verdade.

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  3. “parecemos um texto do Bial”, e me ganhou, logo de cara!
    E o texto continua excelente até o fim.

    É aquela verdadezinha que incomoda, mas no fim das contas não nos faz mover grandes “pauzinhos”… Até quando?

    Abraço!

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    1. Até que a gente resolva o que quer ser. E você, vocezinha, é uma das que devem indicar o caminho, hum?

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      1. É verdade, ainda que não tenhamos toda a liberdade de resolver sem a influência de todas essas coisas boas e ruins que nos cercam!

        É a vida… e ainda assim, é bonita!

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        1. Me lembrou o mestre gonzaguinha

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    1. Putz, chefia. Big obrigado pela alegria do teu reblog. Motivação dobrada!

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      1. Pô cara. Que texto de suspirar sem azedar o suspiro! Temos que divulgar estas inspirações. Abraço.

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  4. Mais (ca)fé!!!

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    1. É sempre uma honra ser republicado, big obrigado

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  5. “ficamos sofisticados demais para simplesmente viver e complexos em demasia para viver simplesmente…”

    Mariel, eu adoro esta sua graça para montar um baile de palavras que soam como um “rip rop”, e quase cantamos quando lemos, e ainda traz um contexto crítico e produtivo.
    Adorei.

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    1. Oba, oba, oba, ganhei o dia e tô contando isso em ritmo de rip hop, ok? (se bem que hop e ok é uma rima no máximo sonora). Ganhei o dia com o teu comentário!
      Beijos,
      Mariel

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  6. É isso, guri!!! Estamos (eu pelo menos me sinto) entulhados de regrinhas de bem viver, cheios de não-me-toques. Você me representa, Mariel. E tenho dito. Já estou fazendo mentalmente a lista de quem vou passar a mão na bunda e dos que vou mandar a merda. rs

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    1. Quando terminar a lista, me avise que a gente faz um cadastro único. Beijo

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      1. Ok, mas não se espante se seu nome surgir em uma delas, hein.

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          1. Refiro-me às duas colunas distintas:
            pessoas em que cuja bunda passarei a mão e pessoas que mandarei à merda.

            (Duas coisas: jamais mandaria alguém como vc a qualquer lugar desagradável e lembre-se, foi vc quem clamou por subversão, agora relaxa! rsrs)

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            1. Mundo livre: temos uma líder!

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              1. Ora, o que é isso? gentileza sua. rsrs

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