Mariel Fernandes

O amor é à prova D’água

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Está na alma das ventanias essa sede marítima por navios. É da natureza adversa das correntezas diversas o ataque, a surpresa e o barulho assustador das tempestades. No momento do naufrágio, hora das águas, o  frio te acolhe, o calor te abandona e a ilha mais próxima está a uma distância atlântica da vida que havia. O que se verá por um tempo impreciso serão marinheiros singrando por mares difíceis. O resgate depende da rapidez com que se compreende algumas coisas: nenhuma terra é firme. Boiar, às vezes, é a única providência possível. Sobreviver não é o bastante.  Então, no momento que virá no tempo misterioso em que você deixa de se debater e desiste de mandar cartas náufragas a amores distantes. Quando você abre mão do sonho de resgates e ganha calo fazendo a balsa que salva, isso liberta em você o mistério que você mantinha cativo no outro. Se abre então um novo caminho em milagres, onde todo encontro é de feito de um perdão profundo e inexplicável. O meu veio sob a forma de um farol iluminando a beleza oceânica da vida. Nada mal para quem tinha medo de nadar.

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36 comentários sobre “O amor é à prova D’água”

  1. Nada mal, Mariel, nada mal. E eu, que já estava mesmo cansada de me debater, lendo seu texto fiquei pensando se não é o caso de me render aos perdões profundos e inexplicáveis que já me rondam a algum tempo (os meus pra eles, os deles pra mim, os meus pra mim, os deles pra si).
    Abraço, novo compadre velho!

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    1. Comaaaadreeeee, que bom que tu apareceste, vivente. Eita, essa cosa de ficar sem tempo tira mesmo o tempo da gente, não? Saudade de ti, guria. Toma lá um abraço desse gaudério que sabe que não nos afogaremos em melancolia estéreis, nem nos prenderemos aos portos das mágoas que só produziriam perda de tempo e azia. Beijo, comadre. Bons perdões de levem e se tragam pra ti.

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  2. Nada mal, Mariel, nada mal. E eu, que já estava cansada mesmo de me debater, lendo seu texto, pensei se não é o caso de me render aos perdões profundos e inexplicáveis que já me rondam a tempos (os meus pra eles, os deles pra mim, os meus pra mim, os deles pra si)…
    Abraço, novo compadre velho.

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  3. É meu caro, cá estou eu dentro da noite, a deriva apenas com o teu farol a iluminar os olhos e estes a dizer caminhos enquanto a alma tenta inventar cartas naufragas para que tu as escolhas dentre todas, apenas uma… Respiro fundo e no lugar de linhas inteiras, envio-te o meu sorriso.

    bacio

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  4. Mariel, sempre poeta. Que belo texto, que tocante desfecho: “nada mal pra quem tinha medo de ventanias”… a imagem que ilustra talvez de conta desse marinheiro, quando em terra firme, com a alma das ventanias. Apesar das turbulências, a vida é se jogar ao mar. Adorei!

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  5. Mariel, estou cá lendo e relendo e relendo e relendo… Boiando e ainda à deriva nesse seu belo e profundo texto. Ainda me encontro presa a um pedaço de pau boiando perdido nesse imenso oceano mas já não choro mais. Apenas aguardo o momento de iniciar minha balsa e recomeçar. As lágrimas já secaram. Ficou apenas o sal do mar a temperar esse reinício. Grata por mais um belo texto seu. Fazias falta amigo! Bjs

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    1. Roseli, entender que chega uma hora em que é preciso ir: isso talvez seja a parte da mais importante da nossa viagem. Que bom que as lágrimas secaram. Tô aqui, na vigia, pronto para dividir contigo a história das nossas descobertas.

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  6. Essa sede de mar vive no meu nome.
    As cartas, eu embolo e jogo no baú sem enviar.
    Avisto teu farol daqui…indicando porto seguro.

    Texto lindo! Acompanhado da saudade que tinha de tuas palavras.
    Bem vindo à terra, marinheiro.
    beijos

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  7. Mariel,
    Há em cada acto de coragem, a cobardia que se esquece.
    Há em cada ser que se atreve a avançar sob a chuva, um t(r)emor de não conseguir aguentar as águas.
    Há em cada palavra que nos oferece, uma viagem interior que só pode fazer-se lendo entre as linhas…
    Obrigada por cada sílaba!
    Abraço!

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  8. Amo sentar próximo ao mar e ouvir o barulho das ondas, até das pequenas marolas. Relaxa a mente.
    Em criança, por duas vezes quase morri afogada. Bem, em um foi num rio… Não houve o desamor, mas acho que influenciou em não ter aprendido a nadar… Preferia ficar fazendo castelos de areia. E depois esperar a maré encher e levar tudo. Feliz ia embora.
    São estranhos nossos medos…
    Bom que tenha lidado com esse seu!

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