Mariel Fernandes

Pra não dizer que não falei das bananas

planeta

Uga, uga, uga!

Estamos na selva, no meio de um tango argentino, as perguntas são cheias de prudência e as respostas repletas de fitas, embaladas pra presente. Retiram os rins uns dos outros, se enfiam facas de um jeito educado, mas algo é certo: um deles dorme pelado.

Eles sabem números, são bilhões, quanquilhintões, uma facilidade impressionante com cifras, um parentesco fantástico com abreviaturas. O BRDA, o SNDZ, o Índice PLA, o caminho do zen. Se engalfinham sorridentes, uga, uga, uga. Querem ser os reis da floresta, a tribo escolhida, os guias supremos dos macacos sem dentes.

Se acusam, se desculpam, procuram piolhos uns nos outros. Batem as mãos nos peitos, uga, uga, uga. Comem qualquer rango sorrindo, cruzam –seguros, maduros e firmes- pelas portas que não vemos, eles têm as chaves dos portais. E nós, os súditos tropicais de um reino supimpa, gritamos hosanas (na falta do Obama), sonhando virar o califado encantado da Xuxa.

Então os dispenso. Não lutem por mim. Não me apontem caminhos. Não me mandem relatórios secretos, se são contra ou a favor da natureza ou do concreto, se sabem da chuva ou vivem de previsões. Nós nos divertimos. Existimos no trabalho. Resistimos nas risadas, muitas causada na imagem hilariante dos debates sem sentido entre vocês. Mando lembranças aqui da República da Macacada de Xanadu. Talvez ninguém nos conheça. Mas a gente sabe quando o rei está nu.

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29 comentários sobre “Pra não dizer que não falei das bananas”

  1. Mariel, marcial Mariel. O bom humor de sempre, álacre, como sói dizia uma das dez ou doze professores que tive. Mariel, bom Mariel, sempre usando o teu telescópio ao contrário, que é prá ver os primatas em perspectiva: pequeninos. Mas…(olha o meu “mas” aí, Mariel), não resisto, solto a frase feita: é preciso edificar na areia como se pedra fosse, como já escreveu o Jorge Luis. Otimista eu, né Mariel? Mas limpinho. Um abraço de camarada velho e muitas cervejas na tua e na minha mesa.

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    1. Ora, ora, ora. Temos um sobrevivente da esperança vendida. Vendida, mas não entregue, diga-se. Ambos acreditamos em Jorge, querido. Mas é preciso haver areia. Ou limpa-la, pra te fazer jus. É o que tento fazer, sem aquele sucesso todo. Em compensação, tenho amigos como tu, jovens em suas cervejadas que prometem um futuro com menos uga, uga, uga. Não estarei lá, é certo. Mas não me custa anunciar.

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  2. E pensar que há pouco alguém comentava comigo que o brasileiro é corrupto, e por ser assim, não tem direito de reclamar da corrupção na política brasileira. uga uga uga… Acho que vou enviar esse link para a pessoa, quem sabe ela se sirva de uma banana… rs

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