Mariel Fernandes

Ufa

Definitivamente, sou um vexame dos grandes. Qualquer malandro com uma história fajuta me tira uma grana em sinaleiro. Da grávida parindo e precisando de uma ajuda pro táxi ao office-boy que perdeu cinquentão e conta comigo senão já era, caio em todas.

Choro por coisas sérias e estúpidas. Saudade, amor, topada na mesa, comercial do Itaú, os textos da Clarice, uma passagem bíblica, lembranças infantis, pequenas gentilezas, grandes amizades, as coisas me comovem, algumas me paralisam, outras me movem, mas eu nunca deixo de perguntar algo fundamental: viver é pavê ou pra comer?

Pode ser no cinema, uma recordação enluarada, a sensação de presença da alma amada, um som, uma convicção, um olhar límpido, aquele gol do Inter no Olímpico, definitivamente, sou a terra do fiasco. Quer cerveja mais mimimi do que a Malzibier? É a minha preferida e juro, não faço pra chocar, por pose ou por tipo. Acho que sou mesmo um esquisito, que presta atenção no joio e nem sempre escolhe o trigo. Por que? Porque acredito que viver zumpé simples, mas não é 2+2. Requinte é um requisito da simplicidade. Pressupõe se propor ao que é simples de verdade. Como pra quase tudo, há muitos caminhos pra isso. O meu não dispensa (às vezes) pão, queijo, salaminho e aquela do Roberto. Ah sim, ajuda muito se o seu amor estiver por perto. Não sei dos adequados, nem de quem padeça de certeza absoluta, ranhetice aguda, velhice doentia, indelicadeza crônica: sempre estive ao lado dos naufragados em águas turbulentas, onde nascem os bons marinheiros. Os que salvam mulheres e crianças primeiro, os engraçados, os prontos para ficar, os decididos a partir, os emocionantes, os emocionados, os amantes, os abandonados, os esquecidos, os deixados na terra dos temporais e dos absurdos. Olho para os vitoriosos do meu tempo quando o meu tempo faz aniversário. Nunca me senti tão bem jogando no time dos otários.

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73 comentários sobre “Ufa”

  1. Achei! Sempre fico confuso, não apareces nunca em meu leitor, fico a procura e me perco, até que por sopro de vento ou na busca de um verdadeiro talento, adentro, afinal deixas sempre a porta aberta e eu como um besouro voo até esse tesouro, agora para com essa de se sentir traído ou não amado só porque o Inter se deu mal, chuta essa bola pra frente, deixa ela encontrar seu destino, afinal jogo é jogo, e nós apenas meninos. Bem bonitinho para te deixar meu abraço, pois como reclamei não apreces mesmo no meu leitor quando postas e até esse burrildo encontrar o caminho me distraio pela rede e por outros destinos. Abração Mariel, adorei achar o caminho de novo, rssss. ;)

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  2. Também gosto de mimimi à base de Malzebier… rs Que bonito e emocionante texto.
    Um grande grande abraço Mariel.
    P. s. Se for seu aniversário 🎂, parabéns 🎊 duas vezes!
    Se não for, parabéns assim mesmo.

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  3. Senti um cheiro de aniversário e se for isso, faço festa para você e ufa! Ainda bem que surgiu aqui, na minha vida. Amigo, incentivador e carinhoso. Apesar de nosso contato ser apenas de comentários, para mim tem uma importância imensa. Tu és daqueles a quem abro os braços e acolho de alma.
    Se não for aniversário, ufa! Ainda bem que surgiste assim, além de aniversários e vida afora.
    E se jogar no time dos otários for igual a tu…Bah, Mariel! Minha camisa de torcida tem seu nome bem grandão.
    Beijos e grata por tanto!

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  4. Mariel,
    voce simplesmente é o quem me faz rever planos, sonhos e convicoes. Ah, voce é o cara! o cara que ama, que chora, que se emociona, que emociona, que realiza, que planta sementes boas que sempre florescem trazendo junto felicidade!
    Voce é do <3!
    Beijoooooo enorme em ti e na linda Familia.

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    1. Lola, nem sei o que dizer. Penso que descrever as coisas me levou até uma alma tão gentil como a tua e isso é uma honra. E, claro, não haveria outra coisa a dizer: me fez chorar. De alegria, de alegria. Um beijo e um abraço em família.

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  5. Eu não usaria o termo “otário” para te descrever, Mariel. Essa seria a forma que um malandro o descreveria. Acho “sensível” muito mais adequado. Nunca gostei de pessoas que se aproveitam da sensibilidade alheia, acho repugnante. A nossa sociedade aplaude homens durões, mas quem quer os aplausos de uma sociedade com valores tão invertidos? Parafraseando Krishnamurti, não é sinal de saúde estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente.
    A sua sensibilidade é louvável, Mariel.
    Beijo.

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    1. Minha nossa, que querida você. Uma vez, Derci Ribeiro disse que perdeu quase todas as batalhes que teve na vida, mas que não se arrependia: ele não queria estar ao lado dos vencedores. Me sinto um pouco assim. Teu comentário só fortalece o sentimento bom. Sou grato, grato, grato por isso. Beijo

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  6. Onde entra na fila para dar e receber abraços apertados? Por que tão lindo? Só espero que vc tenha passado essa herança aos seus, o mundo precisa demais de corações doces.
    E só mais uma coisinha, cê num faz ideia de como é bom entrar no teu blog e ler tudo, dos posts aos comentários. Não muda a receita do bolo porque tá no ponto certo.
    Beijoca

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