Mariel Fernandes

A respeito do tempo

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O absurdo que viraliza, a bolsa que oscila, o saldo do seu Visa. O Bolsonaro, o próximo carro, o espanto, os cursos de Esperanto, o sossego, a continuação de O Segredo, o último Kung Fu Panda, o próximo show do Wando. O escândalo da hora, a hora, o tempo, a parada militar, a primavera árabe, Lula e todos os ídolos de araque, o casual sorridente e o sisudo de fraque.

Aquele sujeito esquisito, a lembrança dos gols do Zico, o preço do palmito, a poesia ruim, as polêmicas com o Chico, zeus e os deuses infinitos. O bem maldito e o mal bem dito, os reis, os Maias, o comprimento das saias, as notas oficiais, os combos, os hashtags e os heróis da Marvel. Esquecidos ilustres, os lustres do Titanic, os sotaques, as meninas, os homens de Marte e as mulheres do interior de Minas, os tiques, o carnê do IPTU, o samba de uma nota só.

O presente, o futuro, os bifes bem passados, os amantes, os abandonados, os farsantes, a taxa Selic, a minha Montblanc, os carinhos da manhã e as conclusões bestas, tipo a maioria das Bics perderam as tampinhas azuis. Logins, senhas, redes, conta da luz. Ultrajes, fronteiras, carro do ano, amores partidos, os mocinhos, os bandidos, as ações da oi e o selo de qualidade da Friboi. Arte, bondade, emprego, verdade, ego, usinas, aviões e sossego. As latas, o luto, a esquerda os reaças. Tudo vai, tudo cai, tudo passa.

 

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65 comentários sobre “A respeito do tempo”

  1. AH, o tempo, o cansaço, as pessoas, os erros e falsos acertos. Os livros por ler no canto da cama. O desconforto de ser. O desconforto do corpo diante dos excessos alheios. A vontade de fechar os olhos e só reabrí-los depois da revolução (que não virá).
    Ler-te me fez pensar na vida que anda chata demais e nas pessoas que andam a chatear a vida. rs
    bacio

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        1. Lunna, uma das coisas que mais gosto é de escrever, descrevendo o que vejo, as pessoas que conheço, as coisas que vivi, as amizades que assinamos com tantas tintas. Gente como você faz da escrita uma ótima forma de caminharmos juntos. É um sentimento e tanto, não?

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  2. No meu caso, posso citar as gripes, as brigas, as reconciliações, as férias, as despedidas, a espera do feriado, do salário, do fim do mês, do São João… Queria que o tempo não estivesse voando desse jeito, e queria também saber aproveitá-lo melhor, mesmo nos dias comuns, mesmo nos dias não tão bons…
    Adorei o texto!
    Xero

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    1. Menina do céu, não tinha visto o teu comentário e concordo: quase tudo (que pavor) é transitório, olha só a tua lista, que verdadeira. A sola do sapato, o aplauso, a vaia, o papel de presente, o presente, senhor, que coisa, somos passageiros do tempo. Beijo pra ti!

      Curtido por 1 pessoa

  3. Meu Deus, fez de novo rsrsrs… Quanta inspiração util e inútil… juntou tudo ao mesmo tempo… Sempre me surpreende né Mariel? Faz poesia com tanta maestria. Uau! Construção e Reconstrução do tempo em tempo… Ainda bem que tudo passa!!! Ufa! Bjs.

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  4. A duração absoluta não é condição de valor e de significação para uma vida subjetiva. Há sim um passado que se cria e se recria em novas articulações. Na mistura dos tempos, as marcas mnêmicas condensam-se, deslocam-se e criam novos sentidos! E seguimos… <3 Linda Semana pra Ti ‘CuT CuT’ Bjs Bjs

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