É.

Foi nos dias secos que aprendi a fazer canoas, preparar cabanas e a escutar o humor das coisas pela temperatura e velocidade das brisas. “Vem chuva”, me avisavam. “Tá chegando a hora dos Merlins”, me diziam. E assim, cheios de estalos, grunhidos e abafamentos, os dias secos se iam. Aprendi a fazer fogueiras nas eras geladas, parideiras de rios congelados, as amigas severas do frio. É quando tudo se retira e retrai, é de ranger os ossos, além de exigir um cuidado maior no caminho, você não quer topar com o dedão em nada. “Não se resfrie”, me pediam. “Não deixe que o coração congele”, sussurravam. Foi num tempo azulado que o amor me reviu e de novo se revelou, de tudo e de qualquer coisa se revendo e refazendo. Então não há sono, estamos salvos, é carnaval feito de filmes e leituras. É festa pagã, são flores de rua, ouvimos o barulhinho de pedrinhas na água e estrelinha cantar. Tomamos banhos em ilhas cercadas de amares atlânticos. É assim de onde vim. É daqui onde estou. É em paz onde vou. “Amor da minha vida”, se declarou. “Amo você”, me aqueceu. Então abri as janelas intermináveis do tempo, onde a tua imagem deixa a paisagem maravilhosa.

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9 thoughts

    • Queridão, se bagunça é porque a ordem não era aquela de verdade. Sempre bom escrever pra gente como você. Sempre bom ler gente como você. Vamos seguir juntos. No final, é o que importa. Super abraço!

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