Rede

Afeto é colo, um tipo de resistência, algo que se mantém e que te toca porque sim. Não há consolo possível quanto se vai e isso doerá sempre, uns dias menos, noutros mais. Afinal, diante de tanta lucidez tacanha, de falta de ligação, de conexões falhas, das coisas rasas que vemos ou vivemos, amores reais atordoam. Se perdoam. Se acolhem, se surpreendem, sentem um ao outro, liberam, cuidam, esperam, precisam, choram a falta e comemoram presenças. Às vezes, por essas necessidades incompreensíveis, separam-se, param, partem, se recolhem em silêncios devastadores, lembranças limitadas, espaços apertados, antíteses de setembro. Resgate é o que o amor pede. Se o amar te visita, vem acompanhado de festa, de uma intimidade que te percebe, que te recebe, que te enaltece e te vê, não explique. Não justifique. Não conte, nem tente entender. Haverá tese de todo tipo, dirão coisas, profetizarão futuros os que não conhecem, os esquecidos, os distraídos de si, os que não sabem do que falam. Sendo amor, não se verá amor partindo, mesmo que pareça indo. Sendo amor será presença, será presente, será sempre bem-vindo.

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