Mariel Fernandes

Vistas do meu Ponto

Alegria

Espinoza foi um cara daqueles que pensam e ao fazer isso, nos dão de presente toda uma vida. Sua filosofia é clara, direta, complexa. Foi não dormindo que lembrei da definição de amor que ele nos trouxe. É um adorno, um anel dos lindos, desses que se usa aos domingos.

Amor é a alegria acompanhada da ideia de uma causa exterior

Ou seja: você já tem que ter seus próprio motivos, lembranças, feitos, pensamentos, vida interior, planos, aquela porção de outros que você ama. Seu homem, sua mulher, filhos, amigos, família. Pode ser dança, água, bike, livros, filmes ou um sonho que inclua cachorros, cortinas em linho e janelas azuis. Pense em algo que te deixa alegre, aquele riso moleque, esse mesmo.

Então bastará que o que te deixa alegre seja acompanhado da ideia disso para te fazer suspirar. A ideia do outro com você. A ideia da canção, da dança, da bike, da filô. A ideia de estarmos juntos. A ideia de lermos, termos, de irmos ou sorrirmos pelo que nos causamos. Não é o máximo esse Espinoza? A ideia dele escrevendo e mandando isso pra gente discutir me alegra porque torna mais feliz outro dia de ilha, sempre tão cercada de te amar por todos os lados, motivos e razões.

Espinoza não atrela a presença do outro a honra de amar ou de ser amado. Não afirma nem que devam estar juntos, se bem que seria melhor, digo eu. Segundo o filósofo, à alegria que o amor causa basta a ideia da causa exterior vir à mente. Basta isso e sendo amor, o coração se sacode, o corpo ganha o que ele chama de “potência de agir” e o que eu chamo de “como é bom te ver sorrir”.

Acho que Platão (esse sim) não suportava a vida como ela é. Então, talvez por isso, tenha imagino um mundo distorcido (o “real”) e outro, perfeito, o das ideias. Sócrates sempre mostrava que as coisas não são bem como a gente acredita e convenhamos: alguém assim o tempo todo é um porre, mesmo que ele normalmente tivesse razão.

Espinoza chegou quando Clóvis reafirmou que é preciso escolher: ou você ama e não tem. Ou tem e não ama. Mesmo essa visão cinza e do afeto (bem platônica) pode ser remediada. Penso que o amor nos lapida, provoca, melhora. Então, poderemos amar o que alcançamos, já que somos outros continuamente e, portanto, sempre alguém a ser amado.

Disse hoje? Está dito e redito: sim e tanto. Por hoje, mais um dia, mais uma alegria, mais um tanto. O presente vem na voz de Adele, a quem devemos agradecer a existência para provocar algum ciúme.

Anúncios

10 Responses to “Alegria”

  1. Blog.da.Anna

    Ah, tive que vir aqui pra ter certeza de você ver meu oi… Quem sabe assim!?

    Spinoza, Dylan, Adele.

    Essa belezura me deu vontade de reler “O Enigma de Spinoza”, do Yalom.

    Já esse “make me feel”, fácil daquelas que Adele abraçou e que não nos deixa…

    Bom fim de semana! Sempre muito bonito o teu texto.

    Curtido por 1 pessoa

    Responder
    • mariel

      Anna, querida. Não recebi os teus ois anteriores, teria oizado de volta, sem dúvida. Teu espaço está inacessível pra mim, é um mistério. Adorei tua visita sempre tão gentil. É um delícia.

      Curtido por 1 pessoa

      Responder
    • mariel

      Espinoza é do primeiro escalão. A música você (como eu) deve ter ouvido com Bob Dylan, a quem também se agradece muito pela existência

      Curtido por 1 pessoa

      Responder

Estou adotando comentários. Deixe o seu aqui

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

%d blogueiros gostam disto: