Mariel Fernandes

Vistas do meu Ponto

Estática

O que me fisgou? A estética, a linguagem, o divertimento, o descaso com a seriedade. Depois fui conhecer bem o cara. Sim, é o cara.

Existe um termo técnico pra quase tudo. O motivo talvez seja a necessidade humana de reduzir a blocos toda uma construção. Preferimos, via e regra, a versão obrigatoriamente rasa e direta da unidade ao complexo e subjetivo que o todo oferece. Hidroelétrica? É um muro que prende água de um lado e libera energia do outro. Bolsonaro? Um tosco com umacaneta na mão e ideias ruins na cabeça. Solidão? É tudo que me acontece enquanto não sei de você. Os exemplos são fartos porque simplificando complexibilidades podemos deixar de saber no que mesmo você acredita, o que sente, do que precisa, o que há, quem somos, de onde viemos, para onde vamos e se é legal lá. Então, confiando na desconfiança que temos e que alimentaram a nosso respeito, deixamos pra lá. Ficamos, vamos, esquecemos como gostamos do pão, daquela canção, do afeto, do respeito, do arroz com feijão, de ler ou cozinhar, do quanto gostamos de ficar um com o outro ou simplesmente de estar em silêncio. Há alguns anos, Dylan entrou no meu radar. Uma música específica me fisgou, cantada naquela voz bêbada e naquele inglês tão peculiar. Porque te conto isso? Simples: porque gostamos dele e ouvi-lo é estar um tanto contigo. Mas isso é uma parte da coisa toda. Ele ter ganho o Nobel, ele tocar gaita de boca, ele ter um olhar que reconheço em mim e uma arte que reverbera em nós, traduzido um tanto do humano que somos. Dylan é Dylan e cada vínculo que propicia. Mistura separação, encontros, lembranças, dores, alegrias, caminhos, passagens e, quem sabe, linguagem. Me dei conta, enquanto Dylan canta coisas sobre setembro, que escrever não me a acalma, mas traduz pontos essenciais do que sou e como deduzo o mundo enquanto te amo. Te escrevo do lado de dentro da saudade porque revivi a certeza imensa do encontro a tristeza insana das partidas. Entre coisa e outra, sonhei outras coisas, conquistei montanhas inesperadas, onde o ponto mais deslumbrante é a minha alma amando e a tua alma amada. Não é simples, mas se trata de algo cuja explicação não está ao meu alcance. Talvez o que nos mantenha aqui seja feito do mesmo material que nos leva adiante. O que sei é que as respostas me chegam e aliviam a preocupação, a alegria do desejo de conversa, as interrogações que vão render um post especial, o desejo de uma semana azul, o carinho acumulado, o amor intacto e os elos preservados. Recebe meu carinho? Respira aliviada? Vem pro colo um instantinho? Dylan pode cantar pra nós? E você, pode nos traduzir?

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3 Responses to “Estática”

  1. Mariana Gouveia

    Dylan é meu crush desde sempre! É aquela inspiração meiga e mega power! E tu, um moço lindo com um jeito todo especial de escrever e de nos emocionar. Grata!

    Curtido por 1 pessoa

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