Indivídua

Assim, sem pensar muito, João Cavalcanti é dos bons. Um cantor que não é só seu canto, ainda que seja uma delícia ouvir apenas. Então ele me aparece com esse tango manifesto e penso: precisamos conversar sobre isso. Presta atenção na letra enquanto alguns babam na Pitanga Camila, o que vier primeiro. A letra é um absurdo de leve, descrevendo alguém tomado da demência momentânea que a paixão causa. Mas entenda. Se durar mais do que dois anos, não é mais paixão, nem demência. Aí também é mais do que tango, do que arte, do que letra. É mais ou menos como um bom filme ou um livro clássico. Algo que você vê (como um Lugar Chamado), nunca mais esquece e ao lembrar não é uma lembrança, mas um combo de memórias envolvendo você e seu amor. Ou lê, como Perdas Necessárias, e pensa no motivo da autora escrever tudo aquilo especificamente pra você. Mas voltando ao João, que saudade. Bom isso não é voltar ao João, mas estar em mim, que vivo em estado de saudade, como agora. E antes um pouco de agora, é um estado, eu lido. Então se vens, que festa. Se não vens, nossas lembranças são atômicas, quânticas, estão lá, existem não porque existiram, mas porque resistimos. Não a resistência heroica, apostólica romana, essa coisa hosanas, distante, projetada, prisioneira. Por todos os meu amor, ah se eu pudesse te abraçar agora, trata-se de um fato e eu não discuto com o que está ali, concluso e pronto para sair do TCC para entrar para a história. Então voltemos ao João. Digita João Cavalcanti no Spotify e escute o “Não Sós”, uma salsa deliciosa sobre o Rio de Janeiro, claro. Enquanto presta atenção na letra formidável, tente acompanhar o luxo que é um piano salseiro convidando pra baila. Salsa é tempero gostoso, cheio de possibilidades sonoras, vem de Cuba direto para mexer com quem está respirante. Ouça, ouça: Salsa é mais ou menos como gostar de alguém, além de ama-lo. Alegra e tira o fôlego.

Autor: mariel

" Não quero viver comigo tempos mortos ". Essa tal de Simone, ela não é uma coisa?

8 comentários em “Indivídua”

    1. Trocando informações, não conheço Casuarina. É um espaço de show? Também não sabia que ele era filho do Lenine. Nesse caso, acho o filho muito muito muito muito melhor do que o pai. Que venham as vaias

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  1. Por acaso, hoje, ouvi Casuarina tocando Disritmia! Nossa! Uma leveza de alma. A voz de João Cavalcanti tem uma voz que se desmancha em poesia.
    Fiquei sem fôlego aqui! Grata!

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