O melhor de nós

O que difere os afetos que chegam? São todos únicos, essencialmente. Mas só os essenciais têm as propriedades do sempre e se você tem algo assim, não há dúvida possível: você sabe, aquilo te informa, te contorna, entra, se instala e quando fala, senhor, que voz. Você topa comer salada, nada é assim longe, pertencer te faz salivar. Então, se ficamos juntos, o como importa menos. Eu disse menos, não que não importa. Mas o que une não é papel, casa, promessa. E quem trouxer o argumento de que defendo “uma cabana e nós dois” vai levar um cascudo. Construções, revoluções, manifestações artísticas, mudança de tipos variados, alterações culturais significativas e todo tipo de evolução que mereça esse nome tem uma fonte de inspiração concreta e que atende por amor. O amor pelo outro é um conceito recente e não existia antes? Concordo se você aceitar que a gravidade só passou a existir depois que a nomeamos. Amor é bigbang, você começa ali, se reinicia, reinventa, refaz, representa, requer, ressurge, reanima e reabre os portais de nós mesmos. É uma pressa que acalma, te chama pelo nome de alma, te seduz porque sabe quem manda. Te faz falta pela qualidade da presença. Te encanta porque sabe ser momentos de ausência. É o olho infalível do amigo perto. É quando o afago é certo e o conta comigo, uma verdade concreta. Vem de um talento inventor de tempo, capaz de abrir buracos em agenda, antecipar feriados, driblar impedimentos, ir ao superado atrás de picolé de milho. Talvez seja deixar de comer Sucrilhos. É conhecer o umbigo, brincar com a falta de assunto, aproveitar silêncios e resistir às distâncias. Acho que o amor se sabe, se acha e constrói confianças.

Autor: mariel

" Não quero viver comigo tempos mortos ". Essa tal de Simone, ela não é uma coisa?

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