Mariel Fernandes

Vistas do meu Ponto

Medalha

Adoro uma competição. Vôlei, basquete, campeonato Municipal de par ou ímpar, esportes me fascinam. Histórias de atletas me interessam. Nossa cultura valoriza um drama, iconizamos o cara que veio de baixo e com fome e frio, venceu. Ou melhor ainda, perdeu por pouco. Sei que todo esportista dá um duro danado. Que treina sábados, domingos e feriados. Meu ponto não são eles, os competidores. Penso nessa nossa cultura, que simpatiza mais com o sacrifício em si do que com a conquista propriamente dita. Então vem um Tom Jobim que destoa e por destoar, precisou enfrentar desconfianças e a eterna acusação de arrogância. Aconteceu o mesmo com o Piquet, de quem você pode gostar ou não. Mas não poderá afirmar que ele não era bom no que fazia ou que se escondia em falsos sofrimentos para valorizar seus muitos êxitos. Guga já teve que se desculpar por uma entrevista que deu. Nela, afirmou coisa como “houve um momento na minha carreira que eu entrava em quadra sabendo que ia ganhar. E o cara sabia que ia perder”. Jordan disse coisa parecida, mas no começo de um campeonato: “o título é nosso e eu vou bater qualquer record existente em assistência ou cestas”. Sabe o que aconteceu? Pois é, bem isso. E não ocorreu ao New York Times pedir que ele se retratasse. Talvez por isso eu ache o slogan olímpico uma frase que deveria ser emoldurada: “Que vença o melhor”. Não o mais sofrido. Não o mais famoso. Não o mais intrépido. O melhor ali, naquela hora e lugar. Talvez a existência seja um corridão da gente com a gente mesmo, aonde os milhões de adversários têm nosso nome e CPF, mas muitas faces. O medroso. O leal. O fiel. O bom moço. O malandro. O tosco. O corajoso. O impertinente e assim por diante. Talvez sejamos uma união desordenada de experiências, um produto do meio, um amontoado celular com determinado DNA, há todo tipo de tese. Havia um programa americano, cujo final eu adorava. O âncora perguntava o que o convidado gostaria de ouvir de Deus. É uma pergunta e tanto. Acho que eu iria ficar feliz com um “guri, você foi o melhor que poderia vc ser”. Dorme bem. Tenho saudade.

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4 Responses to “Medalha”

  1. obduliono

    Ganhar ou perder se difere, muitas vezes, por detalhes. A lembrar que quem compete em alto nível, deixou para trás milhões de outros para trás. Valorizo o esforço, a força de vontade e o desejo de vencer, mas essa atitude é, normalmente mal vista por aqui. Assisto várias modalidades esportivas, principalmente as coletivas, as quais já pratiquei as mais relevantes em termos de audiência. Fico impressionado principalmente com o nosso futebol, em que Barcelona e Ajax fariam a final sonhada e apenas esqueceram de combinar com o Liverpool e o Tottenham. Rio quando perguntam a um comentarista se tal time mereceu vencer. Seria demitido se fosse um por não polemizar. Simplesmente diria: Mereceu vencer porque fez mais gols, ora… e fim de papo!

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    • mariel

      É uma opinião forte, que tiraria emprego de muitos comentaristas, analistas, repórteres de campo, uma porção de especialistas. Adorei o comentário.

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  2. O Miau do Leão

    Eu tb gosto muito de ver uma competição.
    Acho q no Brasil, as pessoas idolatrizam muito os atletas, sabem detalhes de suas vidas q só dizem respeito à própria pessoa. E até chegam ao Congresso.
    Eu era fã do piloto Piquet, mas acabaram com ele. Eu conseguia ser fã do Senna tb, mas acabavam com Piquet. Eu li um livro sobre o Senna (pessoa) e não entendo a idolatria. Não sei se estou conseguindo me explicar. Rsrs
    Aqui tb há atletas q conquistam taças, medalhas, mas não há essa idolatria, não os vejo em programas de tv. Foi uma vitória pessoal dele! Ao público cabe gostar e praticar o desporto. Cabe ver q os seus impostos estão a ser usados p manter os ginásios públicos com ofertas de preços democráticos, etc.

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    • mariel

      Assim, fazendo uma sociologia bem pessoal, acho que a idolatria que artistas, influencers, atletas e muitos etcs, têm no Brasil está associado a baixa expectativa da população com relação a si mesma. Então quase todo mundo pode ser melhor. Aí, quando alguém do seu ambiente social ganha projeção, torna-se uma referência exagerada. Quanto ao Piquet, sempre o achei o melhor piloto que o Brasil já teve. Senna era bom também, mas penso que um pouquinho abaixo do Fitipaldi. E que venham as vaias.

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