Acabou-se

Fomos felizes juntos, carnes em geral. Mas preciso partir para o reino do brócolis encantado. Nada de empanados, às vezes e talvez, um pãozinho francês. A culpa não é sua, pastel com ovo, nem se pode apontar um culpado especifico como os biscoitinhos de sequilhos. Afinal, sabemos da participação contante do leite gelado com sucrilhos. Isso sem falar nos chocolates, farinhas disfarçadas de quase tudo, a pipoca doce, Bolacha Maria e, alegria das alegrias, uma coca bebida no bico. Faz algum tempo que fiz 20 anos, época própria pra arroz com frango, sonho de goiabada, batata assada e pavê, que tanto via como comia. Pizza, queijo, quitutes, valeu. Mil folhas, docinhos de leite, sanduíche com sal e muito azeite, cremes, vadê retrum. Chegou o tempo do atum, do alface maravilha, de alfazema, da ervilha e da saudade de um metabolismo juvenil. É que faz um  tempinho que se foram meus 30 e agora quase tudo pesa. Menos pēra, maçã, beterraba e bergamota. Açafrão, bem-vindo e, antes que meu coração decrete a queda da Bastilha, sopa de cogumelo, tudo multigrão (inclusive o pão), muito Robalo, azeviche e uva no lugar do sanduba. Água e pouca ansiedade, menrecleitam. Onde eles pensam que eu vivo? Sou da terra do churras, do torresmo, do pastel com vento minuano, o paraiso de tudo desencanado, lá pouca gente me conhece. Mas enfim, cumpridas as promessas de uma vida sem maiores pressas, o que de melhor me aconteceria, além de habitar o planeta dos magros e saudáveis? Faz tempo que meus 40 e mesmo os 50 se aposentaram. Não dá pra seguir como se nada houvesse pra servir amanhã. Uma fome estranha, o abandonar-se no esquecimento na fome insaciável pela sensação de presença. Mas qualquer argumento é um fiasco, nosso coração não pertence se bate como quem não quisesse, se vacila em desalinho e eu prefiro saudade de ti a ter vontade de um franguinho. Lembrança de beijo em vez de påo com queijo e uma boa conversa a esvaziar a travessa. Estão descubro que não pode ser por ti, mas por desejo meu de saúde e auto cuidado. Dessa vez por mim, pela primeira vez por mim e por um eu me amo, preciso saber o que me alimenta, não até onde meu corpo aguenta. Meu amor, é o fim da era do Strogonoff e nao, não existe feijoada light. Por mim, acabou-se o que era doce.