Oh, oh, oh

Tem que ser por que é bom estar.

Viva a surpresa pelo nada, um lugar que tenha vento e porque venta te alegra. Bem-vindo seja o simples, o 2+2=4, o beijo na boca de quem se quer. A bicicleta barra circular, o torcer por torcer, o viver porque é bom, um gol do Inter. A preguiça, o bocejo, o banho de chuva, um canto escuro e seguro da cidade lá longe. Viva o filme onde o casal que se ama fica junto, o dia de sol, o vira lata, a cadeira de leitura, o romance fácil, o não ter que entender porque está claro. Pelo fim da conversa fiada, do jogo, da opinião balizada, todo poder ao nada pra fazer, o passeio, o recreio e a topada que tira a tampa do dedão, viver pressupõe cicatrizes. Viva almôndega, escondidinho, bife com cebola, lição de casa. O coração acelerou? Cumprimente-se, a vida é pra quem se entusiasma, se motiva, se rasga, dá vexame, responde errado, não reage bem, esquece a data, odeia barata, vai à nocaute, tenta, tenta, tenta. Se levanta às vezes cantando, dorme às vezes chorando, sabe que existir tem muito às vezes. E por falar em saudade, onde anda você? Não confio em quem não tem pelo menos uma meia furada. Em quem sempre ganhou, sabe todo o processo, entende o outro lado, que fala muitas vezes coisas como gratidão, inexorável, empoderamento. Viva a funfla (aquela coisinha dentro do umbigo), dormir até tarde, não saber que horas são, esquecer os nomes, falar palavrão, não gostar de salada. Sabe o que quero dizer quando te digo minha amada? Que você é minha amada, mais nada ou ninguém. Tudo bem gostar de Fanta Uva, de suco de abacaxi e não de cerveja ou vice-versa? Chega de conversa, pega teu patinete, viva o tobogã, não saiba de nada, joga tudo pra cima, o que Deus pegar é Dele. Quando a gente tá dormindo, a alma distingue de noite ou de manhã? Obrigado a quem inventou o ventilador, a quem desinventou a dor e descobriu o relaxante muscular. Bem dito talento do cara que faz bons fones de ouvido, o botão reserva nas camisas, o tênis sem cadarço, a Bic e o pinguim de geladeira. Viva o churrasco de igreja, o campinho na praça e sim, às vezes a vida é no tapa, é me dá aqui, o me deseje, o te festeja, o seja, vem buscar, o me beija, tô com fome, some, o sem sacramento ou igreja. Eu não sei se Deus existe. Então que o simples me diga assim seja.

O presente de hoje é uma propaganda da Coca. Observem as reações, o olho abrindo junto com o riso, a surpresa, o simples da imaginação, o imaginado, o imaginário, viver é mais uma profissão de fé e menos relicário.

2 respostas para ‘Oh, oh, oh

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