Par ou impar?

Escolhas são feitas, é assim. Algumas são apenas isso, uma intuição de ir por aqui ou por ali, esquerda ou direita, caminhos que ao fim da jornada acabam te deixando no centro da cidade. O lado do campo onde você decide colocar o seu time no início do jogo, por exemplo. Isso influencia quase nada ou nada mesmo no resultado final da partida. Minha questão é com acaso, a dissonância invisivel das opções, o argumento sempre tão articulado do bom senso. Tudo que defende em sua essência coisas diferentes entre si como dever, pátria e família tem meu epa e me põe em alerta anti farsa.

Era mesmo o que havia para ser feito? Mesmo? De verdade? Somos pessoas civilizadas, razoáveis e sem contas pendentes. Pensa comigo e me ajuda aqui nesse cantinho da poltrona. Se todos fizeram o que era preciso, porque estou ofegante e mancando no lado errado do ringue? E porque, diosanti, sempre essa recusa de cair ou de depois de caído, ficar lá?

Depois de feito, o que tem que ser feito não deveria nos alegrar ou não entendi a piada? Afinal era o que tinha que ser feito. Não havia saída, nem havia nada a fazer além daquilo que deveria ser feito.

Fosse um navio, esse argumento teria um buraco enorme no casco, me dou conta. Porque mesmo jogamos uma bomba no Japão? Ah sim, era a única coisa a fazer pela paz. Era? Mesmo? Pode ser, mas se o alvo sempre for o Japão qualquer que seja a guerra, talvez isso chateie um pouquinho os japoneses.

Devo estar com humor avariado, ninguém bate com a boca na porta e perde um dente impune. É que o senso comum, aquilo que todo mundo concorda, tudo o que é claramente repetido, retocado, o que está à vista e em lugar acessível na prateleira, isso me dá preguiça, lombriga e tristeza. Isso me torna um estraga prazeres? Me disseram isso uma vez, quando afirmei que acho muito otário o sujeito que paga pra ver o Big Brother. Se enrosca e reflita comigo. A pessoa exerce seu direito de pessoa e, basicamente, paga pra ver pessoas cujo maior êxito na vida é prestar atenção nos textos do Bial que se acredita Fernando Pessoa. Não entendo essa gente, me chama o gerente e avisa que não tô bom hoje. Não os convido pra minha vida tão curta em mim e tão cumprida nos dias e dias onde me mantive na resistência, desfazendo do que era pra ser feito. Porque talvez haja um furo nas escolhas colhidas no campo dos justos. Há quem pense que separações prejudicam o crescimento ajustado dos filhos. Quem diz isso? A igreja, a maioria delas ou a maior delas, tanto faz. A base desse estelionato emocional é que as crianças precisam de um lar, de pais juntos e unidos. Percebe a barbaridade disso? Primeiro, a utilização de mão de obra infantil para manter o bem estar das coisas que não se deseja mudar. Segundo, no lugar de ensinar a honrar o valor do amor enquanto é amor, de sofrer porque se vai, de admitir que não existe mais, o que fazemos? Dizemos que tudo bem não haver amor, firmamos o entendimento que as crianças crescerão confiantes no que dissermos a elas, bastando pra isso que não digamos nada para elas, vão brincar, papai e mamãe estarão juntos sem gozo ou regozijo, mas juntos em nome de que? Ah, vão brincar, isso não é assunto de criança. Ninguém tem condição de dizer ao outro o que é melhor a fazer. Mas nunca o que há a fazer tem uma fórmula certa e infalível, uma receita exclusiva ou um método de cozimento cujo resultado é certo e sempre o mesmo. Mas se você escolhe a Cidade do Cabo todas as vezes que poderia ir para Ithaca, ir para a Cidade do Cabo é mais do que uma escolha, é uma preferência. Então não era o que deveria ser feito, mas a escolha consciente e legítima de escolher com quem fazer o que se deseja, restando assim fazer o que deve ser feito com quem não consta no manifesto de passageiros.

Estou precisando me colocar no meu indevido lugar, só assim me encontro no escuro, funciono bem-vindo. Caos ou Cosmos? Nos multiversos de tudo, nas múltiplas versões dos mundos, nos desníveis temporais dos sentidos, está tudo na ordem dos dias. É como aceito os deveres, olho nos olhos da alma que amo e digo eis aqui eu, senhor dos ventos. Eis eu aqui, nanico diante do que sinto. Amo no sempre que é o amor. Eis aqui, mais uma vez desapropriado do tanto que poderia ter sido. Eis aqui eu, senhor.

8 comentários

  1. É nunca vamos ter a “uma fórmula certa e infalível” para o que devemos fazer… nunca mesmo… principalmente quando o assunto é no sentimento mais forte que temos o Amor e a família…
    O fato é que “divagamos” por um longo período, sabendo que seguimos em frente… sem brilho na alma mas que tudo passa… quando? Vai demorar um pouco… aguentamos firme… sobrevivemos, nos tornamos mais forte e acredite seremos sim mais felizes conosco mesmo… quando sabemos exatamente o que temos que fazer e fazemos. Vai passar. Abraços

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