Entre linhas

Sempre me assombra a vida mundana, capaz de criar coisas como rolha, ratoeira ou roldana. O que faríamos sem o zíper, o abridor de lata e o guardanapo? Isso sem falar na cabana, no caldo de cana e no prato. Garfo, cadeira, lápis de cor, além do apontador. Não me impressiona tanto a camisa, mas aplaudo quem pensou no botão de reserva, no apito, no pêssego em conserva. Quem inventou a frase “é pavê ou pra comer?” é gênio. Como o inglês que criou o futebol, o Inter e até o Grêmio. Eu preciso ver o surpreendente que é a tesoura, o quindim, a vassoura. Gosto de pensar nos sujeitos que criaram o rodo, o balde e o alfinete. Bicicleta, chave de fenda, doce de leite e o guarda chuva. O que faríamos sem Sucrilhos, rastilho ou porta luvas? Caminho olhando pras coisas e pedindo para que elas me protejam de falsos requintes e recatos. Que me salvem da mágoa, da exigência severa e constante por resultados, respostas ou realidades. De me tornar amargo ou incapaz de ver no simples vivido o tanto que foi, sem cobrar o tanto que poderia ter sido.