Dias ausentes

Tenho uma canção cujo som revela que é possível às palavras se tornarem o som e o sentido ao mesmo tempo. Fala de Marte, de espaço, de luzes que se alcançam. Mas dizem outra coisa, é um portal sonoro, amantes entenderão. Ela existe pelas verdades que formam sua composição. Não escrevo poesia, não me importam métricas, nosso sentimento vive se vestindo pra casar. Se arruma. Se perfuma. Fica diante da janela, esperando algum movimento. Vai ao super. Vem de longe. Ri do tempo. Chora de tristeza. Então, estando ou não estando na árvore do encontro. Vindo ou não vindo na sacada, algo confirma, é a seiva da conexão que não teme nem precisa se angustiar. Não se angustie, portanto. E me alegro pelo teu afeto que me mantém bem e desperto. Há Marte, sempre haverá. É ali que eu vivo, me entende? No espaço do colo, na língua, no dialeto, no concreto das dores que enfrentam as almas exiladas entre si, no entendimento da conversa transformada em espaço legítimo de troca. Tem saudade que arde. Há dias desafinados. Frustração? Tem sim senhor. Mas é nos dias ausentes que os amores não se reconhecem distantes, não se admitem faltantes e se fazem presentes com significado.

O presente de hoje é o presente de sempre

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