Tudo a declarar

Tenho aprendido a calar o que é dispensável dizer. Tento te ver e sendo isso impossível, me conforta a imaginação, minha própria versão do tempo errante, da realidade mutante, dos bolos e cafés, uma chuva de fim de tarde, dessas que tocando a terra a deixam alvoroçada e cheia de aromas. Quem topa uma pizza, uma rotina amena, um cinema, um festival de Friends, a playlist inteira, a primavera toda, uma torrada com açafrão, é açafrão que chama? Já ouviste hoje o que te digo de mil formas todo dia? Posso te fazer um chá de hortelã, um suco de laranja cedinho e por cedinho entenda-se 9, que antes é abuso afetivo.

Tem que veja nessa foto, eu incluso, um passarinho bicando a ☁️. Ou se como um peixinho desse um salto incrível em busca de falta de ar. Qualquer que seja a conclusão a que se chegue, o fato é que todo momento é de tirar o fôlego e os milagres brincam de esconde esconde com quem não esteja no longo sono das certezas totais. Há sinais de que nos pertencemos por toda a parte. Fomos nos construindo em silêncios, em hiatos, nos tornando inesquecíveis, nos lembrando em desenhos, senhas e livros onde lemos que existimos e que somos íntimos de um modo inédito. E como se isso não fosse o bastante, fomos ver o mar depois que se torna Atlântico. É assim que se vive a um olhar de distância. É preciso silêncio, uma quietude pacífica de quem, sabendo onde o amor vive, também sabe que só ele é capaz de te ver.

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