Estação

Acho que tudo que existe tem uma missão invisível. Algo que nos passa desapercebido aos sentidos e que serve a outros compromissos. Não pense em algo místico, apenas olhe os pólens, os prótons ou nós. Não se trata da grandeza do universo, as transversais do tempo, as diagonais das forma-pensamentos. Falo a respeito de quem somos, de onde viemos e se é uma escolha real quando a conversa chega no para onde vamos. Nós, os humanos, sabemos é nada sobre o namoro secreto das florestas e dos rios flutuantes. Ignoramos solenemente o mistério envolvente que une abelhas e a preservação de uma extensa rede da qual toda vida depende. Há algo fora dos radares e dos aplicativos, o intuito que move o instintivo. É a lógica que te fala por aromas, é um outro dito, um velho idioma, um infinito que se refresca no rio, um Deus moleque que para soltar pipa, inventa o vento e sopra inocência nos tempos da infância.

Afetos deveriam ser patrimônio imaterial da humanidade. É o que nos torna, nos transforma e nos alinha. Depois nos forma, nos alenta e nos molda. Então, invisível que é, se aloja na alma, intui o outro, que se despe de si e te abraça, entre o sempre que vem e todo o resto, que passa.

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