Lugar de Fala

O calado de um navio mostra o quanto ele singrará, silencioso, mar à dentro.

Gosto dos significados das palavras, o que é diferente da sua etimologia. Como nasceram ou chegaram até nós soa menos importante.

Um navio entrava, no Porto de Santos, embarcações de todo tipo

Essa foi uma questão que ninguém, mas ninguém conseguiu acertar em um vestibular da USP há alguns anos. Somos lógicos e isso tem pouco a ver com linguagem, palavras e seus significados. A matemática da fala e das palavras que a constituem não é 2 + 2. Nem o seu resultado é, obrigatoriamente, 4. “Entrava no Porto de Santos”´é uma armadilha semântica. O entrava é no sentido de obstruir. Pegaram você? Em caso afirmativo, posso ficar com ciúmes ou preocupado. Amaria acordar com você um jeito de acordar com você todo dia. Colher com uma colher é bem estranho. Sempre que o molho cai, molho a camisa. Chegue na torre do palácio e torre um bife, pra mostrar quem manda.

Uma boa conversa é feita de palavras que se entendem. Para acontecer, é preciso gente querendo compreender o outro como expressão. É uma jornada em que fomos (nós, os humanos) perdendo o interesse nessa aventura. Aprisionados em emotions, resumidos em sinais, simplificados em carimbos, não se fala mais e isso nos cala fundo. Quero te ouvir pra te saber, entendendo tuas linguagens, silêncios e ditos como pedaços de bilhetes, escritos por ti em mim. Se não sei dos portos de onde partem tuas palavras, como te aprenderia em tuas chegadas e novas partidas? Ou de que modo compreenderia o tipo de gente que sou? Sim, porque é na diferença que nos moldamos. Não para que a narrativa nos iguale e repita. Mas para que eu considere a tua existência como algo tão eloquente que nos leve a bons desentendimentos, a lugares diversos, ao pensamento transverso, para além de saber o que houve contigo. Sou quem ouve a ti e os dias que te trouxeram. Não é uma agenda, é um desejo de construir algo incomum, em comum com você. Mas isso é outra conversa. ***

10 comentários

  1. Um tanto que falamos a partir de nossas histórias e que parece incompreensível pra quem não as viveu.

    Criança, falava sozinha. Adulta, também.

    Há monólogos pandêmicos beirando o terapêutico. A pressão interna para alguns é sufocante; monólogos despressurizam…

    Tenho vivido e visto essa história.

    Acordar é das palavras mais lindas – no significado tanto quanto na forma – do meu balaio.

    Muito bonito esse, Mariel!

    Boa semana 📝

    Curtido por 1 pessoa

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