Leve

Faz quase a idade da alma que amo o tanto que ando de bicicleta. Por poucos anos, competi naquela que é a menor escuderia do mundo. E a mais multifuncional, já que piloto, mecânico, motorista de apoio e torcida são a mesma pessoa. Sei um pouco de montagem, de estratégia, de terreno, de pilotagem e qual tipo de equipamento usar nas várias pistas existentes. Minha melhor colocação foi um segundo lugar. Normalmente, rodava entre os 20, dos 40/45 competidores. Junto com algumas vacinas e o ar-condicionado, a bicicleta figura entre as invenções que amo. Mas abro espaço para o canivete suíço, o olho mágico, o espelho retrovisor e a tampa do desodorante spray. Fico horas imaginando o sujeito inventor. Eu quando olho um cavalo, vejo o animal. O inventor enxerga a sela. Do fundo do escuro um cara pensa vela. A massa de tomate, aquela caixa do engraxate, o abençoado que pensando em mim, desenvolveu a camiseta não slim. O saquinho de balas sortidas, o símbolo do Inter, o picolé de palito e o interfone. Isso é inacreditável: aperto o 32 e meu filho abre a porta do apartamento num comando mágico e invisível. São milagres da modernidade, como a máquina de moer carne, o sabão líquido, o botijão de gás, a mochila e o elástico. Tem travessa de plástico, tem carvão pra churrasco e minha invenção preferida pro Grêmio, o fiasco.

Toda santa vez que vou tomar banho penso em quem pensou no encanamento de estanho. No Passaporte, na bússola, na colher e no tirador de caroço da azeitona. Experimentei das duas formas e está decidido. Respeito a versão em papel, mas Leite Moça na lata é mais gostoso. Chuleta é melhor sem osso e é muito legal um bom queijo com salaminho, sempre acompanhado de cerveja ou vinho.

Quem imaginou no CEP, o jogo de damas, a cama, guardanapos, a toalha e o próprio banho. O perfume, o vagalume, a ficha telefônica, a meia, a pinça, o saleiro. Quem nasceu antes, o sapato ou o sapateiro. O teu riso aberto, o olhar profundo, a tua cara linda, a estrelinha e o por de sol. O balanço e as crianças nele. A rede, a sede que nem é de água, nosso tempo sem mágoas, limpo, temperado, o equilíbrio em 4 pernas e um assento. E porque toda criação me encanta, te recreio e te ofereço o que há mim com e o que a em nós sem medo.

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