Gen.te

Confesso minha implicância com as sextas. E que vou falar de assuntos desconexos, como gente, o pensamento de Simone e, talvez, das sextas com as quais zango. O dia é uma anti-segunda, exige finais, inclusive de semana. Não as quero bem porque me desapropriavam, acho. Marcavam um corte, faziam fronteiras com silêncios que depois se tornaram um som comum. Um zumbido que, aos poucos, acalmei como quem separa uma briga. Pronto, falei das sextas.

De gente eu gosto, mas não o tempo todo. Posso ficar horas em grupo, animar um encontro, mas me vejo cada vez mais confortável com menos companhia. Falo fácil, sou bom em piadas ruins, recebo com certa alegria, presto atenção nas pessoas, uma atenção sincera, mas não obrigatoriamente me interesso a fundo como talvez deixe a entender. Vejo o que aquela vida propõe, o que traz, onde se leva. Gente é um pouco como barcos e paro a metáfora por aqui. Vejo graça em quem vejo, ando entre as pessoas que não percebo. E antes que você me considere um psicopata, o interesse é legítimo, apenas não dura para além daquela fala. Diferente de você, que me chama a atenção em tempo integral. Minha parte preferida na vida é ao teu lado. É onde vejo o meu riso chegar e também o meu silêncio ficar em paz. Adorei as bandeirinha na reta de chegada. Adoro estar exilado em ti. Vc não me passa desapercebida. Pronto, falei de e da gente.

Simone não sabe brincar. Ela aponta o sujeito como sujeito de si mesmo, imputa sua responsabilidade e coautoria em trajetórias experienciadas. O truque confortável de dizer que o outro é o nosso algoz não cola. Há algo em nós que os autorizam a ser o que são. Têm nossa autorização para naufragar navios e assistimos, muitas vezes, esse drama de mãos dadas com um outro culpável. Seriam menos (ou bem menos) autores e mais (ou muito mais) companheiros de espetáculo. Então vem Simone e licitamente acaba com a farsa toda me dizendo autor de mim. Só podia ser sexta mesmo.

Joelho em 7.8 e melhorando. Saudade? Nossa, é claro que sim. Tanta que começa e não acaba em mim. ***

6 comentários em “Gen.te

      1. Aqui, finzinho de domingo. O sol ainda quente. Tempo parado, sem vento, nem nuvens no céu. Só as risadinhas das crianças brincando no pátio enquanto tô aqui escrevendo. 🙏🌟

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