Uma coisa e outra

Um estudo da UEFA, desses que servem mais para apoiar teses mancas como a minha, mostrou que um jogador mediano de futebol toma perto de 4 mil decisões por jogo. Messi, no outro extremo, decide algo por 10 mil vezes. Sabe o que isso quer dizer? Isso mesmo: nada. Ou pouco mais do que isso, já que tem o mérito de mostrar estatisticamente que a bola passa mais nós pés do craque. Não é à toa que se diz que pênalti deveria ser cobrado pelo Presidente do time, tão importante que é. Ou pelo cara que treina centenas de vezes o jeito de bater certo na bola. Nunca o bom do time. Ele serve para definir o inesperado, fintar quando todos esperam um chutão, olhar para um lado e mandar a bola em outra direção. O pênalti é, por definição, coisa de rotina. Se você bater certo, o goleiro não chega. Para bater certo, tem que treinar centenas de vezes. Os gênios deveriam ser poupados dos pênaltis. Não estão acostumados ao sem graça que é o momento congelado desse lance, onde o arqueiro é previamente inocentado. Eles preferem passar por um, dois, driblar o goleiro e só não entram com bola em tudo porque é preciso ter humildade em gol. Zico perdeu um pênalti contra a França uma vez, nunca esqueci. Ele tinha recém entrado, vinha de uma lesão seríssima no joelho, foi lá e puft, na trave. Não lembro de nenhuma m outro lance do Zico que não seja esse. E ele era o Zico. Há episódios que te definem, mostrando o que há de mais forte em você. Decisões que estabelecem o que manda, se seus valores ou suas virtudes. Sim, há diferença entre um e outro. Valores estão ligados à moral, o certo e o errado. Virtudes são suas forças essenciais. Não dependem de circunstâncias, não há julgamento, se faz ou não se faz. Há no gesto o requisito que diz algo como “se eu fizer (ou não fizer) isso, vou abrir mão de quem sou”. Temos que definir sobre mais do que bater um lateral, tocar a bola de lado ou fazer lançamento de 40 metros. Somos craques e cabecas de bagre em tempo integral, hora um define, hora outro, hora ambos ao mesmo tempo. Há uma gritaria de volume muito maior do que qualquer torcida hurrando, nos apontando, gritando vai. Há um pênalti em cada segundo vivido e erraremos alguns se nos encaminhatmos para a bola com as chuteiras da moral. Só acertamos mesmo quando quem bate é o cara que treina centenas de vezes, conhecido como virtude. Não esqueça de que você pode definir bater com virtude. Mas quem aplaude ou vaia, normalmente, é moral das torcidas.

Graças por você ser quem é. Sua existência me alegra no exuberante do sempre. ***

4 comentários em “Uma coisa e outra

    1. Em primeiro lugar, que bom você por aqui. Decisões de todos os tipos, qualidades e consequências, não? Me dei conta escrevendo. E vc confirmou minha impressão. Cuide-se!!

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