Amor nos tempos de Corona

Essa é uma história líquida, milagrosa e pagã. Fala de seres que não vivem plenos longe um do outro, comprometidos por um laço que é mais do que aliança. Vivem um casamento inteiro a cada encontro. Experimentam a intensidade do reconhecimento do outro como aquele que se quer. Se aproximam cautelosamente, se tateiam, se conectam, se fundem, se fogem, se encontram, se perdem, se pedem, se dão e, então, se despedem.

Aí, depois de cada ida, serão outros na volta. Ilhas rodeadas de tempo por todos os lados. Tempo de casa. Tempo de filhos. De marido. De estudo. De emprego. De exílio. De saudade. De gripe. De almoço. De viagem. De camas diferentes. Do outro ausente e mais ali do que qualquer outra coisa que tenha forma. Que fiquem séculos mudos e inacessíveis. Ainda assim, em um micron de tempo, serão capazes de manter intimidade.

Separados, enfrentaram invernos, distâncias Homéricas, Oldisséias, Ithacas. Como conseguiram? Com seus códigos próprios, aprendendo linguagens, olhando estrelas e encontrando ali mensagens e significados. Então, mais do que juntos, são únicos em união e rendição amorosa, ainda que nem sempre entendam o motivo, a razão ou a força que os impulsiona. Não se fala aqui de romances, ah não. O lugar é real, desenhado por gente real, compostas de falhas reais, desejos reais e entrega surreais de tão intensas. Não substime o poder da prática aos amantes entre si. Vencerão todo tipo de barreira, um fio de voz trará toda a indulgência, paciência e alimento que necessitam. Almas nessa altura de entendimento são capazes de viver entrincheirados em suas batalhas pessoais, mas não esquecem do outro, o protegem e dignificam seu sentimento, são instrumentos do que têm que ser feito.

Amar o amável é uma delícia. E o detestável no que se ama, como é? E uuvir o que não se quer? Dizer o que não se ouve? Se manter silente. Conversar a cada passo. Entender cada parada. Compreender que nenhuma escolha é simples ou fácil e que o outro é ele em sua majestade.

Aboli o felizes para sempre de todos os meus dias, lição tua. Exercito isso porque não há, me ensinaste, reação ideal nem posição permanente. Inexiste controle, nem antes nem adiante, certo e errado. Até que se chegue ao sempre, tudo é aprendizado. É onde vive essa história que se conta por ela mesma, chega de explica-la, quero garantir que viva por que é você, amada. Mãe do céu, que saudade. Sinto falta da conversa aberta, franca, risonha e direta. Me sinto só e tenho medo. Diz que vem, que me comporto. Diz que vem, eu quero ir. Diz que vem, preciso tanto dormir. Diz que vem porque precisa de algo que te entrego. Diz que vem porque me ama. Diz que vem, só diz que vem.

O presente com significado sou eu. Desejo que ames e que sejamos. É isso que espero de você: que venha.

Recite

” Isto é reconheceram-se, comprometeram-se, submeteram-se ao que estava determinado antes mesmo que ambos existisse esse justíssimo encontro”.
Cite, acredite, releita, creia, eleja, seja, se proteja, comemore, se namore e pense agora: o que você me daria de seu? O que você se daria de meu para me e te engrandecer? Bebe da alegria. Come da leveza. Veja os sons. Ouça o tudo de bom que há e te comemora.

JR.

Onde anda o que você gosta de fazer. Ler, escrever, pintar, permanecer de allminha quieta, aprender um instrumento de sopro ou acompanhar a rota das formigas. Se enrosque e tente não pensar em nada.

Brilhante

Há uma canção que conta que o sorriso que você sorri agora pode ser o reflexo de um riso dado a horas em um outro lugar do planeta. Quem sabe haja mesmo uma conexão nas alegrias, nas travessias, nos renascimentos. Linha branca ou candomblé é indiferente para quem não acredita. Você feliz, pra mim, faz toda a diferença. Seja, por favor, seja.

Escondidos

Bilhetes podem brincar de esconde esconde com o tempo. Você vai encontra-los em bolsos de casaco, carteira, no porta luvas do carro, embaixo do travesseiro e dentro de livros. São presentes inesperado, alguns vindo do passado, outros apontando o futuro e aqueles escrito no agora, para acompanhar teu dia. Não se perca de si, se releia e se restaure. Leve o tempo que precisar, apenas não se atrase.

Bilhetes

Aqui e agora, já e imediatamente, nessa hora e nesse instante, te diria isso: vamos já para os nossos dias. E te seguiria, abrindo portas, guarda chuvas, janelas. Apertando botões de elevador, guardando lugar, acompanhando no super, cortando legumes, contando e perguntando do dia. Te quero família, te dou e te peço mão. Te dou o tempo que precisas pra vir, mas preciso que venhas em felicidade plena, sem divisão ou dor. Te dou meu livro preferido cheio de bilhetes divertidos, pequenas surpresas do tempo, a saudade que sinto, as tristezas que espanto se não sonhamos juntos ou se percebo nuvens de qualquer infelicidade nublando o que olhas.

Tenho silenciado tanto e por tamanho tempo que entendes naquilo que te dito algo diferente do meu intento ou mesmo do dito. No entanto, estou pronto tanto e por tanto tempo que o que tenho dito é exatamente meu intento, o de ser diferente de tudo que temos visto ou vivido. Ofereço uma canção enlua Rafa e a costura do simples. O calor de alguém tropical, o transparente, o trabalho duro, o sempre, a hora banal, um abraço daqueles, um café com leite. Nosso porto é o meu ponto final, um instrumento de antigos navegantes para que as emoções cumpram seu rumo, um quintal com uma casa quentinha na frente, os dias tocados em frente, um riso adiante, noites e pernas entrelaçadas.

Vem que te dou meus gols do Inter, uma corrida de Atacama, a alma inteira, um asterisco, café na cama, conversas tamanho P, M, ou G, além de espaço pra ficar sozinha. Entre costuras, revistas, uma play list nossa, não temos ainda. Então, entre brócolis, salsa, cebola picada, tomate e chás, te interrogaria sobre o achas dos cantinhos da vida. Te espero à noite, quando voltas sozinha pra que te sintas segura. Espero há dias que traduzas o que há de impreciso no que sentes, o que precisas, não quero supor e acho mesmo que sabes das coragens necessárias para certos saltos.

Desconheço exatamente o que eu quero, mas sei exatamente ao lado de quem desejo descobrir e, mais do que ter, construir. Vivemos em compartilhamento, uma caixa de conversa e entendimento. Aqui e agora, já e imediatamente. Vem parir os dias que são os nossos, dias de entendimento, imensos, plenos de laços.