Bom dia, Vietã

Difícil te abraçar hoje, raiva. Não porque seja hoje. Existe o abraço, mas ele não houve e o desabraço se acumula, frequente e lancinante.

Te toca de alguma forma o cruel que é o fato de ser difícil te abraçar hoje? É uma lâmina que corta a retina, banhando num último gesto rijo a terra deslavrada. É o baque seco do nada caindo sobre a linha reta de uma boca sem riso. Te toca isso?

O que te basta? Porque te vejo na casa, braços estendidos, soleira alta, pé direito bom, som de cachorro na rua, cheiro de chá, piso de madeira, quintal. O que te basta, me pergunto. Porque mesmo sendo difícil te abraçar hoje, te daria hoje um abraço. Faria assim em nome dos abraços não ocorridos, abraços e abraços vencidos, o museu de abraços não havidos, nas datas mais tolas, em endereços improváveis, abraços apertados, saudosos dos abraços interrompidos e não entregues, abraços exilados, abraços reprimidos, abraço contidos, abraços abortados, abraços futuros, abraços passados. Hoje seria um abraço difícil, ainda que desse, que não negasse meu abraço usado, vindo de ontem, nas centenas de dias antes de ontem, milhares deles, cada qual espalhado em abraços desmarcados, em destinos não idos, desfeitos da beleza humana, desacreditados por desditos, convencimentos equivocados, certezas totais e uma falta profunda de abraços. Desses que acalmam, inspiram, confirmam, protegem, sugerem, trazem e transferem o melhor da melhor semente, os abraços trocados no sempre. 

De que valem esse abraço plenos, esse apertamento plural, esse abraço libertação, esse  engarrafamento de abraços aquecendo o sol? esse abraço pleno, olho no olho (o que te dei pra tomares conta) tingidos de absurdos, quarando sem o sol do abraço conspirante contra todo tipo de rotina. 

Hoje seira m abraço minguante, um abraço minguado, um abraço difícil, envolvido em abraços perdidos e que, mesmo assim, seria oferecido. 

Sou outro

A gente não se conhece. Podemos nos gostar, nos admirar por feitos ou desafetos, nos amar por encanto ou conveniência, mas conhecer alguém? Isso é quase impossível, somos outros o tempo todo. Reencarnamos diariamente nas células, emoções, pele, cabelo, sinapses, neuropercepç˜ões, reações. Isso junto com opiniões, alvoroços e, claro, os outros que somos ou que seremos.

Depois que volto de uma pedalada não sou mais o mesmo. O projeto aprovado causa metamorfoses. A saudade martiriza e você nem sempre quer partir para o sacrifício. A decepção nos modifica, você torna-se alguém que sofreu por alguma coisa. Qualquer elemento mutante (são milhões por segundo) nos reduz ou agiganta e, acima de tudo, muda. Sentimos raiva ou prazer. Temos desesperanças ou acreditamos que dessa vez, vai. Ao cabo disso, seremos nós, modificados por nós e outros tantos. Seremos outros, entretanto. Entre tantos, seremos outros. Não irreconhecíveis, não chega a esse espaço. Pelo contrário, parecemos os mesmos. Mas estamos levemente tocados, trocados, outros.

Temos demandas diferentes, mesmo quando olhamos para o mesmo ponto. É que somos outros. Somos outras vozes, focos outros, outros que se vão e outros que silenciam. Somos recheados de experiências cuja maior consequência é modificar os corpos e as almas dos quais somos feitos. Por isso, estar ao lado de alguém ou participar de algo é uma escolha diária. Não há decisão fácil, não sabemos nada do outro, o outro é o inesperado no escuro. Por isso é indispensável reconhecer as mudanças ocorridas os seremos inexistências ao lado de inexistentes. Ignorar isso é condenar o outro (e a nós mesmos) ao exílio daquilo que se é. Os grandes silêncios, são justificáveis para um, mas talvez. E não para um outro, por certo. Quem se rasga silenciando não é o mesmo que fica exposto ao silenciado. Os dois sofrerão pela mesma coisa, mas por outros motivos. Serão outros nessa jornada. Um pelo que perde. Outro pelo que não ganha. Todos pela despedida que ocorrerá se não se apercebemos disso.

A vida nos remodela. Medos nos reestruturam. O amor nos renova. Mas ao te olhar hoje, és tu hoje.  Ontem  eras outro ser, uma vivência que nem existe mais no tempo, ele mesmo o cerne das variações percebidas ou ignoradas, porque todas são vistas. És tu agora, viajante daquilo que te importa. O que há são esses momentos breves, moldados pelos nossos encontros, cada qual inédito em sua profundidade e protagonista nos afetos que nos convertem em outros o tempo todo. 

Poupar. Planejar. Precaver. Prevenir. A pretenciosa segurança que essas escolhas nos trazem é frágil. Não digo que não se deve fazer essas coisas, já que se deve. Mas também é necessário entender que é tudo por um triz, a poupança é confiscada. Já não aconteceu?. ´Basta um vírus e pluft, adeus planos, bem-vindos a novos destinos. Num zapt, lá se vai a precaução junto com uma chuva, um raio, um carro que anda rápido, uma pedra cai, um vento sopra, mudanças não pedem licença. Mudança é a vida se regeneranço e, às vezes, balança forte. Num zip, olha o inesperado do amor, da compaixão, do acolhimento, do riso que nos muda e do abraço que nos recebe.

Distraídos pela sensação de consistência que a rotina oferece mas não entrega, fingimos que não vemos que ela própria é formada por novidades compactadas umas nas outras. É prazer novinho em folha que é ver uma árvore dando folhas laranjas. Mudam a si mesmas e mudam os olhares que atraem, mudando quem vê. . Acontece com um segundo a mais que se mantenha na visão entre amantes. O pão de queijo daquela hora. O café naquele momento. A solução inédita. A demonstração nesse instante. A declaração ao vivo dos afetos e dos seres afetados. Só há isso para oferecer. Não havendo, não há nada para resistirmos ao desconhecimento dos conhecidos que nos cercam e que desconhecemos por completo.

Não é que você não me conheça. É que você não conhece ninguém. E que, basicamente, tudo que respira não sabe de quem somos e porque corremos o risco de dar a mão ao desconhecido. Esse é o milagre que existe entre nós, o eterno novo e o perene das infinitas novidades. Lutamos com força contra o que nos modifica, e tudo nos transforma em uma escala estupenda. Então temos que encarar que não conseguimos desvendar o outro. Que só podemos aceita-lo, sendo o outro o que é, o antigo do que segue adiante do Nando Reis. A mudança vencerá porque o contrário disso é a inaniç˜ão das águas paradas: não saciam, qualquer que seja a sede. O bom dia que você dá hoje é completamente diverso do oferecido ontem. O tom. A intenção. A energia. O corpo. A expressão. A forma e, dentro dela, a alma. Mudou quem disse. Quem escuta é outro. Para seguir amando ou seguir adiante, será preciso aceitar que momento a momento o desconhecimento. Assim, viver é será um apresentar-se sempre, sem medo de nós, nem de sermos outros. ***    

Vou te mine contar

Ninguém resiste a uma boa história

1

Toda saudade acaba no encontro. E tudo encontro lamenta a saudade nascida do percurso entre uma coisa e outra. Pode ser uma longa jornada. Podem ser 2 minutos. Não há regras, sentimos saudades e isso é o que se pode sentir quando o que sentimos mesmo é muito.

2.

– Vamos caçar por de sol? 

– Vamos pescar pedras? 

– Vamos rezar juntos? 

– Mas nem acredito em Deus

– Não precisa.

– Vamos crer juntos? 

– Qual crença? 

– A de compartilharmos o sol, as pedras e a fé

– Não tenho fé

– Não precisa. Me dê a mão e pronto

– Pronto? 

– Sim. Dar as mãos é uma oração

– Pra quem? 

– Para quem quiser ver o invisível do amor no visível das mãos dadas. 

3.

Não gostei da falta de mensagem no whats. Não gostei do silêncio ausente. Não gostei da cadeira vaga no cinema. Da cama do hotel. Não gostei de não ouvir gosto de você. Não gostei de mirar no horizonte do nada e ver você longe, longe. Não gostei de olhar do lado esquerdo do carro e não ver você. 

4.

– Chega, ele disse

– Que bom que você disse 

– Chega? 

– Sim. 

– Porque? 

– Por que cheguei. 

Quando, onde, porque

A vida é impar. Viver é outra coisa.

Não é quando. Nem de onde. Pra que não representa. Porque não responde. É que simplesmente não importa. Não é o que fazermos. Não é tão divertido estar na praia. É irrelevante um sempre teremos Paris. A vida é de fatos, tirando a parte dos sonhos. Mas mesmo esses, se não realizados, vão para a coluna de débitos, do que faltou, do não aferido, do nem tentado, do exilado, do nem havido.

Viver é ato. Mesmo que seja muito o que poderia ter sido, fazer é um feito. Mesmo repreensível, imperfeito, cheio de desníveis, impedimentos e sustos. Mas não sozinho, no ermo das coisas. Vale, claro, saber do aniversário ou que horas são na Dinamarca. Afinal, é uma referência, uma forma de não expiar, espiando. Mas não há nada como o estando, a presença, o presente, a pedra jogada no rio, o riso atirado no ar, o Inter entrando em campo. Veja, não é o time, mas as lembranças que traz. Justo por que, juntos, nos tornamos histórias, viradas, vitórias inesquecíveis e vexames que machucaram. Nada é completamente vivido se trouxer, vívido em si, o excluído. O fluxo acontece no convívio, na permuta permanente das rotinas domesticadas. São ruas descobertas, lembranças trocadas, passeios, boletos, bicicletadas. Tem pipoca no sofá. A fé em algo. Buscar alguém lá longe. Café. Coca no bico e o indecifrável mistério do asterisco. É risco de não vir e chover. E assim sendo, continuar chovendo dentro. É platéia para artistas. É leitores para quem escreve. É atenção para família. É seguidor para influencers. É mãe para filhos. É um para o outro.

Não é quando, nem onde, nem porque. Nem longe, nem pra que, nem nada em zoom, nem tudo além. A vida que vale é com quem. ***

Não somos um. Somos outro

É na fissão com o outro que surgimos. Somos artesãos de milhões de outros, lembranças outras, alusões, possibilidades, coesões e distâncias.

O filho que nasce, o amor que surge, o diálogo, o fim da linha, o bem-vindo e o basta. Tudo acontece a partir do outro, cuja inexistência determinaria que a realidade seria uma coisa do outro mundo.

Outrora é o outro no passado. Outrossim é o outro jurídico. Outro é polissêmico. Pode significar “o outro” assim, entre aspas, uma insinuação, um apontamento, uma frustração. Talvez queira dizer que é preciso trocar algo pela mesma coisa, tipo “me traga outro igual”, o que seria uma incoerência, o que é outro tema. Representa uma pressão por escolha, o famoso um ou outro. Outro modo de ver as coisas, que sugere um outro ângulo da mesma questão. Outra vez, o outro que se repete outra vez.

Além das outras delas mesmas, as grávidas têm outro ou outros que têm outro ou outros (ou outras) por dentro. O outro nasce. É no meu encontro com os afetos do mundo que surgem os outros dos quais somos feitos, depois de nos tornarmos outra coisa a partir do contato com o outro. Não somos mais  o que fomos por conta de outros fatos, de outras razões, outros seres, outras experiências.

Tentamos reduzir o outro a nichos. Lá vem outro poeta. Um outro amor. Uma outra abordagem. Outro modo. Mas o outro é a constante, mesmo que vc queira outras rotinas. Palavras que pedem a repetição de algo bom, o quero outra vez. O outra vez que é um recomeço. Amanhã é outro dia, essa resignação que busca consolo num outro futuro. Nem sempre o encontramos, mas parece sempre ser primeira vez, depois outra primeira vez, depois outra primeira vez.

O outro é transformador. Sob seu olhar, permutamos as experiências da jornada, ajustamos vidas possíveis, sonhamos presentes não havidos, lamentamos o passado, onde o outro não existia. Ou, caso inverso, lamentamos a existência de outro pai, de outro país, de outra família, ainda que não se deseje a desconstrução de nada. Caso isso fosse feito, seríamos outros e poderia não haver nós, apesar do tanto de nós que existem.

Nos amamos enquanto outros se desencontram. E mesmo desencontrados, somos o outro que o outro que segue e seguimos adiante.

Originalmente somos outros, milhares deles. Alternativas, paralelos, libertos. Outros e melhores graças ao melhor dos outros. Porque é isso que nos entregamos: a capacidade de ver nos outros que parimos os outros que vemos partir. É o que nos torna pertencidos ao outro, sem ser propriedade alheia ou ecos de egos. Só é possível tocar no amor a partir da incoerência, presença, escolha ou a experiência do outro, al´ém da nossa. É uma troca você saber o que o outro gosta, fazer-se gostante do outro, gestante de um outro imprevisível. É uma permuta, cujo escambo preve compreender o outro em todos os outros que os outros nos oferecem. É preciso aceitar que o outro é uma resposta, não uma pergunta. É um espelho que deve levar a reflexão sobre o que nos atrai e os motivos disso. 

O outro é um caminho para nós no original, essenciais um para o outro. O outro é o que nos encaminha para uma independência lúcia, quando somos um e  outro. Quando não precisamos nos disfarçar de outro para amanhecermos um com o outro. ***

Palavra é lida

Tem palavras que se abraçam para descrever o sentido das coisas. E, talvez mais importante ainda, o sentido pelas almas. Algumas têm algo em comum, o incomum dos seus olhares e os lugares onde são vistas.

São como janelas com vista uma para a outra. Vão e vem sem desperdício da paisagem, sem necessidade de redução do visto, do bendito manifesto em orações completas e leituras do indescritível.

São palavras, só. Podem nem ser palavras sãs, mas jamais serão só palavras. Terão lavras de almas semeadas uma na outra, colheita farta, fruto bom, vento na cara, clara precipitação de chuva para terras com sede de outras águas e de novas semeaduras.

Há o perigo de horas perdidas, como as palavras não ditas. Se extinguem sem se tornarem, mesmo, um significado. Sem representarem de fato o ato seguinte, o passo adiante, a coragem de ir ou vir, o enfrentamento (violento ou afetuoso) da rotina e seus processos erosivos.  

Palavra não lida não é uma palavra não ofertada. Está aqui, entre outras tantas, também palavras, nessa quitanda de adjetivos, substantivos, provérbios e sujeitos ocultos. Inspiram quem sabe outras pessoas. Acordam recordações de outras vidas possíveis e que estiveram ali, ao alcance do sim.

Se não percebidas, perdem-se de quem não as leu, mesmo tendo destino certo e sabido. Mesmo assim, não se tornam exiladas. Se transformam em diálogos aqui. Em pensamentos ali. Descritos. Alambrados. Lustres. Lumes. Lentes. Faróis. Frio. Escuro ou denso.

Se não vistas, saltam das tuas vistas em predicados, reencarnando em contos, ideias, falas que não me passam desapercebidas. Me ocorre que ainda que não lidas, são palavras lindas. Lembram asterisco, um chuvisco, uma pipa ou um metrô. Carinhos disfarçados, presentes improváveis, porta bandeira, palavras falantes são criados mudos. Não lidas, dizem nada. Na lida, dizem tudo.

Alegria tem ria e tem ri

Defina alegria. Pese o que seja. Beba dessa água. Olhe em volta dela. Brinque de pega pega. Ascenda. Acenda. Alegria. Esteja por perto quando acordada. Diga só com gestos. Conte com palavras. Conte comigo. Estique a conversa. Aumente o espaço e equipe e ocupe e se estatele no sofá da alegria que causa uma causa. Uma calça. Um caminhar. Porque poderia não haver encontro. E havendo, não houvesse o botão do encanto. Então seria mais um entretanto entre tantos. Mas quando algo convida, com vida. Com vinda, que alegria. O cão nosso de cada dia, o prato, o são, os fatos de estimação, as palavras-símbolo, Simbá (o marulho), amigo de um Pequeno Príncipe, primo de Menino do Dedo Verde, amor inteiro do Pequeno Polegar. Alegria cabe no bolso. Na bolsa. Na blusa. Na balsa. Na bainha bem feita. Alegria é uma tarde no quintal enorme do prazer em conhecer. É reconhecer os elementos que nos fazem alegria na jornada do outro que queremos bem. ***

Quem

É tudo temporário e não há como saber, inexistem garantias, selos internacionais ou certificados inalteráveis. Mas entre o volátil das coisas (porque são coisas e essas habitam um mundo que as condena ao desaparecimento), existe algo. Está lá, você percebe que pulsa, você intui a presença, você  sabe o inexplicável. Não é uma crença, é a existência vista a partir do invisível e do inevitável.  É o conhecimento apartado da razão, eis a força da natureza agindo. Entregue a esse poder, uma pergunta torna-se urgente e calmante ao mesmo tempo. Você também pressente o infinito assim? Olhe bem, não tenha pressa, mas compreenda, trata-se de lógica existencial. O finito não tem um fim. É o infinito que tem. Não são duas percepções de algo. É um entendimento particular que não dá margem ao esquecimento do todo. O infinito tem um fim em nós, não há subjetividade nisso. É o nosso lugar no cosmos. Você pode adiar o quanto desejar a sua chegada, há coisas sempre a fazer. O que não podemos é ignorar a existência e rumar por ela, navegantes. 

Depois de um encontro como esse, que movimenta o universo, tanto faz o que se faz, a cor do cabelo, o país de origem, se Portugal é um destino viável, qual o nome escrito na carteira de identidade, aonde vamos morar. O que define o afeto com alguém não é a sua capacidade de saber quem estará junto na trincheira. Pelo contrário. O que define um afeto é saber com quem se quer estar em tempos de paz. Como disse no início, todo resto é temporário. ***

1

Um segundo a mais e o eterno se faz.

É um micro instante feito de um momento mínimo, o tempo inteiro ao contrário.  

Então não há o que pare o segundo em sua altura, nem o significado que traz, no tempo do sempre que dura. 

Não há visão mais reta do que a da alma, quando singra no olhar do outro. 

É um segundo cavando no tempo, cavocando, cavalgando, carpindo, indo, medindo demarcando a terra do olho que não lhe é alheio, mas um pedaço do que sabe em si, vendo-se. 

Basta um segundo para saber o signo, o designío, o escrutínio, o sabor do vinho, a marca da moto do vizinho. 

Não é preciso mais do que isso. É impreciso mais do que isso, um segundo. Um triz, um zapt, um vupt, um zum e estamos conversados. Ditos, tatuados, vindos, nutridos, olhados, curados, um segundo e basta para que tudo mais se queira. Esqueirados, lado a lado, cansados, feitos de ânimas, cheios de cãibras, vontades, involuntariedades, mesclas, um ora sim, outro hora não, uma oração.

Um segundo é a coisas mais duradoura de tudo que vejo.    

***