sempre que o amor cercar

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Vem, vem, vem, Pixinguinha

Pixiguinha é um músico de coração carinhoso. Desses mestres populares, com seus olhares bondosos para nós e para a vida. Uma das suas mais famosas canções é um hino aos apaixonados, essa gente no divino estado onde o essencial é a entrega ao outro ao que ao outro pertence. Não posso esquecer de João de Barro (que nome doce), autor da letra que se uniu de um jeito encantado à melodia inesquecível. Yamandú Costa é um gênio das cordas, um instrumentista que chegou ao avançadíssimo estágio da simplicidade. Unir Pixinguinha, João de Barro, Yamandu e uma platéia hipnotizada pelo amor que a canção revela é o meu presente de hoje. E minha presença de sempre. Feliz, bem feliz.

Chico


Sabiá, do Chico, foi estupidamente vaiada num desses festivais. É uma canção de alguém no exílio, banido e longe de casa. Na melodia suave de Jobin, o tom dolorido de uma alma proscrita. Quem se lembra dos generais, tantos anos depois? Não é incrível que um Sabiá resistisse ao silêncio imposto pelos impostores? Você quer ouvir? Convidei Elis. Quando essa mulher canta, todo passarinho para e silenciosamente ouve.

Tarsila do Amaral

Manhãs ou fins de tarde, somos partes. Formamos imagens, pedaços soltos, choros em festas estranhas, dança de pijama, transitamos entre alardes, somos partes. Pontos entrelaçados, estamos em cada quadrado, nos montamos, um por todos e todos do outro lado. Moldamos homens de Vênus, mulheres de Marte, somos partes. Trazemos a pessoa amada, trançamos pernas, olhamos fundo, sentimos muito e algumas algumas vezes citamos Sartre, somos partes. Assinamos peças, ensaiamos mitos, nos olhamos dentro, aprendemos a dança da chuva e que a vida é fogo que arde, somos partes. Somos passageiros, nos vemos de passagem, jogamos sinuca, nos confessamos e rimos porque alguns encontros alegram. Ou porque amores são amizades com arte, só precisam de um minuto para que fiquem à vontade, para que vivam bem-vindos, para que façam parte.

Calmante

Ouvimos eu, minha mãe e meu pai. Estávamos estátuas pertinho do rádio, respirando baixando e torcendo para que os astronautas americanos da Apollo 11 chegassem bem. Havia todo tipo de boato contra. Iam desde erros em cálculos gravitacionais até a ira divina, que não deixaria que o homem tivesse êxito na conquista da Lua.

Chegaram, era um grande passo para a humanidade e tal. Foi quando ouvi algo como “eles pousaram perto do Mar da Tranquilidade”. Mar da Tranquilidade, olha que nome lindo para um oceano banhado por um tipo quântico de água, que molha mas não molha. Que lugar especial para olhar a Terra e acenar, enquanto se caminha pela areia fofa sem dificuldade ou afobação. Mar da Tranquilidade, onde as ondas massageiam, não há vendedores de saída de praia e toda cena se dá em fast.

Mar da tranquilidade, alma serena, espaço perfeito para o momento leve e sem gravidade, onde acalmamos nossos lobos e podemos olhar para a lua pelo tempo que quisermos.