Alice no país que você quiser

A vida nunca é como ela é, mas sempre uma escolha. Como diria o coelho de Alice no País das Maravilhas, “não há dúvida que você vai caminhar bastante se não souber onde quer chegar”. Não é simples encontrar a toca do coelho, nem desvendar a lógica do que surge, ou enfrentar finitudes e fragilidades. O que vejo em Alice é alguém curioso, extraordinariamente interessante, uma história que amo por que conta a importância de sabermos para onde não estamos indo.

Fiquem bem que eu fico também. Hoje o presente é pensar.

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Bom findi

Você consegue ler “Toda Vida Daria um Filme” ?

Meu sono só não é maior do que minha vontade de dormir. Foi uma semana boa, dessas em que se levanta às 6 e só bem tarde mister Morfeu vem falar com a gente. Definitivamente, não estou ficando mais jovem, me contaram com riqueza de detalhes os últimos 7 dias de jobs intensos.

Quando pequeno, imaginava que viveria até os 50 e há 5 anos, quase acertei a previsão. Não vejo porque arriscar um novo palpite, nem motivo recusar os mimos que o tempo me traz, ainda que saber o que significa mimos revele o tanto que já percorri. Mesmo assim, é estranho estar prestes a pagar meia entrada no cinema, ter direito à vagas especiais nos estacionamentos da cidade e a preferência no atendimento em lugares públicos.

Às vezes não encontro o que gostaria. Então sigo pra outro tempo, como quem garimpa a preciosidade da vida, decifrando suas respostas rápidas, que (imagino) sejam as possíveis ou disponíveis. Ainda assim, valem o passeio e aquecem os joelhos, ao mesmo tempo em que me acostumo ser chamado de senhor com mais frequência. Que a sabedoria seja enluarada e feita de serenar profundo e sonhos se espreguiçando.

O presente de hoje é uma estrelinha que Vitor Ramil criou pra nos lembrar o silêncio bonito das noites. E que Milton canta confirmando o tom suave dos dias.

Hakuna

Soprada entre dentes, a história flui rio à dentro, noite à flora e fala na alma das matas. Escuta, apalpa, olha que água sonora, que brisa, que Nala, que coisa, que sonho sussurrado onde quer que a brisa brise. Olha que coisa, Mufasa. A sala, o quarto, a paisagem, o mato, tudo insiste e quando menos se espera, existe. Saboreia a lembrança nascente, a semente lançada e aceita na terra pronta a semeadura de sentir-se amada. Cheira o aroma, Scarbi porque Scar não te pega. Nem Shenzi aguenta Simão e a delícia de Hakuna Matata. Toca o teu sonho no colorido de Zazu e seus tons de azul até que amanheçam junto com o sol. É assim que Simba vem e cresce nas frestas da floresta, nas brechas da inocência, onde pulsa o puro e a pureza, a natureza, a beleza e tudo que transforma o real.

O presente de hoje são as vozes da floresta e a alegria da bicharada.


A viola, John Donne e o violeiro

John Donne viveu invisível na sua época. Esteve aqui entre 1572 e 1631 e era um baita poeta, o que só foi reconhecido muito tempo depois que partiu. Ele inspirou Hemingway no seu “Por quem os sinos dobram”, o que não é pouca coisa. Na introdução do livro, o que Donne afirma em forma de um dos mais primorosos textos já feitos? Mais ou menos que “nenhum homem é uma ilha. Que todo homem é um pedaço do continente e uma parte do todo. Que se um torrão de terra for levado pelas águas até o mar, a Europa inteira fica diminuída. Que a morte de qualquer pessoa me afeta, porque sou parte do gênero humano. Por isso, não pergunte por quem os sinos tocam. Eles tocam por você”.

Almir Satre e Renato Teixeira olham um olhar de natureza para o amor iniciado ou extinto, existente ou ido. John Doone, Almir Satre, Renato, que trio para se iniciar uma semana carinhosa com a gente, em paz com o que se é e com o que se sente, compartilhada em sua totalidade. Dita, escrita, feita por ti. Preciso que você esteja plena, que se apresente a si mesmo e nos entregue, em nome da tua humanidade, o pedaço de eternidade que completa o tempo de quem se ama.

O presente de hoje vem lá de 2008, uma leitura doce, intensa e feliz de uma canção feliz, intensa e doce.

Tropical

Não é possível prender quem transforma a vida em busca e se descontenta, desorientando o caos e desafiando a ordem. Não se trata de partir ou ficar, mas de singrar em direção ao que intuímos. Não se trata de amar ou ferir, apenas do que sentimos. Não se trata de ser ou estar onde estamos, mas de ser quem somos.

O presente de hoje é João Bosco, é Djavan, é Corsário. São mais que artistas. São inspirações para que a vida seja plena das coisas que acreditamos. Bom Find!

Acontece

Primeiro, alguém toma a iniciativa de fazer um pedido. Pode ser um carro, um amor, uma música, uma cura, qualquer coisa. Mas peça agradecendo o recebimento, gratidão é fundamental. Chame seus santos, pratique seus rituais, reze suas rezas e se quiser, dance a dança da chuva. Na verdade não importa se você pertence aos povos do deserto, se pratica chamanismo, se é ranzinza ou vascaína. O essencial é saber que tudo é uma prece e que alegria é o mínimo que acontece quando você fala com o Maioral. No meio de um show, o fã mandou um bilhete ao Bruce Springsteen, essa lindeza simpática e grande músico ao mesmo tempo. Qual era o desejo? Ouvir uma canção fora do repertório. Bruce se incendeia, motiva a plateia, pede ajuda, os músicos se inspiram, se tornam o pedido, o embelezam, nos tocam. Do nada, o que era um bilhete pedindo uma música num show em estádio lotado, vira uma festa de sons, de participação e de compartilhamento. Meu presente de hoje é dizer que acho que milagres são a explicação que a nossa ignorância dá à nossa vaidade. E se soubermos disso com o coração, seremos o extraordinário da invenção, do escrito, do bem dito. Não existe qualquer razão para nos sentirmos perdidos, me escuta? Se dirija a Buda ou a Bruce, tanto faz. O certo é que a vida está sempre atendendo a pedidos.