Mariel Fernandes

Vistas do meu Ponto

Alakazup

Estamos precisando de curiosidade analógica, digital, fora do tempo, desobediente ao elementos, urgente em pleno domingo, capaz de de ver por uma frestinha uma galinha que surfa, um Gold Retriever sorridente, o elefante elegante, Aladin e os 3 patetas. Histórias de encantos que se encontram, gente real, banana com canela, Paulinho da Viola, Sartre e boas canetas em um estojo de madeira entalhada. Andamos precisando de carinho, de cantar alto e de falar sem pressa. De encontrar caminhos, de passar um café, de esquentar a conversa, de caminhar de almas dadas, dividindo mais um dia vindo ou indo. Respira o ar da graça e da cura. Meu amor repara em ti e se restaura cada vez que vens, cada vez que lembra e canta a nossa dança. Te deixa descansar. Te deixa vir. Recebe plena e aprendiz o abracadabra que te faz feliz.

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Bom findi

Aos amantes o tempo passa devagar se distantes e é um raio, um zapt quando juntos. Abre o dia que embrulhei em papel graft, está ali, desenhado um sol quadrado que sorri. Repare, a casinha tem chaminé e uma árvore de uva japonesa em frente. Dá uma fruta ardidinha, você precisava conhecer a criança que falava com ela, escondida entre seus galhos, voltando do colégio. Atento ao tanto que há pra contar, tento manter a conversa animada e te levo no bolso, polegar. Também cuido da temperatura e faço o possível para narrar o que se passa, pode me pedir mil léguas submarinas, meu coração de vidro te dá, menos o que não há, como meu amor passar. A raposa, a rosa, o pequeno de Exupéry não te contaram nada? Não é como enfeitou Vinícius, tipo eterno enquanto dure. Está mais pra Eu Sei Que Vou Te Amar. Dizem os mestres do oriente, os mouros dos desertos e o Menino do Dedo Verde, toda sede é saudade de rede e de ninar as coisas que sonhamos para que acordem.

Histórias

a foto é de Anthony, um inglês que sabe mesmo como fazer um click

Ando de mãos dadas com Sartre ultimamente. Mas olha se essa frase não é de ficar fascinado, num cantinho, pronto para sair do nada e chegar ao ser:

Escolher é um exercício de liberdade. Mesmo que sua opção seja a de não escolher, ainda assim será uma escolha. E ainda assim será liberdade“.

Respeitar escolhas, olha como as coisas se comunicam, é um dos preceitos do budismo. No cristianismo, há muitas passagens sobre isso, do tipo “existem muitas moradas na casa do meu pai”, como quem diz haver um universo de escolhas a serem feitas. Platão é dual, o mundo das ideias e o mundo real: são poucas as possibilidades, mas são pelo menos duas. Onde amarro Sartre nisso tudo? É que se a existência precede a essência (conceito dele), vejo nisso o que? Escolhas. O que fazemos do que nos fizeram. O que construímos nos atos cotidianos que habitam em nossas narrativas. O que escolhemos viver e ser a partir disso, apesar disso, por causa disso.

A impressão que me dá é que fomos criando trilhas culturais, desculpas tolas, regras de bom comportamento, aceitações gerais, zonas coletivas de conforto e carimbos emocionais tantos e tão numerosos que é praticamente impossível ter uma “vida que valha a pena ser examinada“, como diria Sócrates a respeito da existência bem aproveitada, assim, no sentido de plenitude e alcance.

É uma forma, uma das muitas, inúmeras, diversas formas de ver o mundo, de dar um sentido aos dias. É mais ou menos como entender que “o destino do caminhante não é o caminho, é o caminhar“, tomando emprestada a linda frase do Antonio Machado para coloca-la na prática dos Joãos, das Flávias, dos Egbertos, dos Gismontes. A humanidade não é uma perspectiva, uma opinião, um certo ou um errado. Reduzir o que temos de humano a um jogo entre casados x solteiros é quase má fé filosófica, outro conceito sartreano. Elevar o que representamos como humanidade a um nível divino também, porque não nos sobraria nada. Somos os erros que cometemos, os acertos que obtivemos. As pessoas que inspiramos. As histórias que escrevemos, os horizontes, os desejos e as escolhas que registram o que fomos capazes de realizar a partir delas.

No fim das história, pra trazer Sartre de volta na nossa conversa, só no fim dela é que seremos. É depois da nossa viagem que a humanidade dirá no que ela se transformou após a nossa passagem. Canto contigo. Conta comigo. Leio em você. Tenha comigo. Estou do teu lado porque sendo amor é isso que ele gera, as janelas do sempre. A minha escolha é a gente.

O presente de hoje é uma história encantada, quem sabe porque o amor nos deixe puros e tontos se alegria

decreto

repreendo crenças, limbo,

sufoco, doença, desânimo, água parada,

virose, gremistas. desautorizo juízos finais,

falta de voz, insistências febris,

desistências, tristeza, impaciência, pressão alta,

pressão baixa ou só pressão.

invasão, falta, excesso de velocidade, crise

de meia idade, desentendimento, ausência

de cinema, ausência sistemática, mau estar repentino, dedo ruim,

dor no rim, ressentimento, livro e papo chato,

fome, dores em geral, Bolsonaros no particular,

certezas absolutas, topada no dedão, gente com

babinha no canto da boca, sopa de aipo, sermão,

universal, mania de perfeição, solidão, gente demais,

multidão, multa ou tombo. o ruim está proibido, junto

com a cara fechada e a falta de libido. alma que amo,

não aceito nada menos que dias extraordinários

e revogo a qualquer disposição em contrário.

O presente de hoje é fantasia, com Chico, Bethânia e eu na vigia.

Réplica

quantos todos os assuntos geram horas de réplicas, a conversa faz parte da arte de estar mais do que entregue e passa a amar à vontade. se torna original, entusiasmada, pede animação e pesquisa, quer impressionar, se exibir, compartilhar. há vida na vida como ela é, e o amor tem mil lados, todos certos e errados. é para aprender que nos tornamos lugar de fala, de troca, toque, de concordâncias, de datas vênias, de não concordo, de acordos linguísticos, de línguas, de diz mais pertinho, de conta, de contra, de conta comigo, de por favor, respira. deixe que entre, está frio aqui fora, fala, vem, recebe o que te trago agora. licença? é possível e é preciso: o amor não é compromisso. é um acontecimento de dentro pra fora. foi o que me houve, é o que me leva, o que me suspira, as coisas que mostro, as que aprendo, uma versão mais feliz de mim e de você. a melhor parte, o mais esperado, do que não me arrependo, o meu melhor lado, o muito prazer, o te reconheço, o bem querer e o recomeço.

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