Bilhetes

Aqui e agora, já e imediatamente, nessa hora e nesse instante, te diria isso: vamos já para os nossos dias. E te seguiria, abrindo portas, guarda chuvas, janelas. Apertando botões de elevador, guardando lugar, acompanhando no super, cortando legumes, contando e perguntando do dia. Te quero família, te dou e te peço mão. Te dou o tempo que precisas pra vir, mas preciso que venhas em felicidade plena, sem divisão ou dor. Te dou meu livro preferido cheio de bilhetes divertidos, pequenas surpresas do tempo, a saudade que sinto, as tristezas que espanto se não sonhamos juntos ou se percebo nuvens de qualquer infelicidade nublando o que olhas.

Tenho silenciado tanto e por tamanho tempo que entendes naquilo que te dito algo diferente do meu intento ou mesmo do dito. No entanto, estou pronto tanto e por tanto tempo que o que tenho dito é exatamente meu intento, o de ser diferente de tudo que temos visto ou vivido. Ofereço uma canção enlua Rafa e a costura do simples. O calor de alguém tropical, o transparente, o trabalho duro, o sempre, a hora banal, um abraço daqueles, um café com leite. Nosso porto é o meu ponto final, um instrumento de antigos navegantes para que as emoções cumpram seu rumo, um quintal com uma casa quentinha na frente, os dias tocados em frente, um riso adiante, noites e pernas entrelaçadas.

Vem que te dou meus gols do Inter, uma corrida de Atacama, a alma inteira, um asterisco, café na cama, conversas tamanho P, M, ou G, além de espaço pra ficar sozinha. Entre costuras, revistas, uma play list nossa, não temos ainda. Então, entre brócolis, salsa, cebola picada, tomate e chás, te interrogaria sobre o achas dos cantinhos da vida. Te espero à noite, quando voltas sozinha pra que te sintas segura. Espero há dias que traduzas o que há de impreciso no que sentes, o que precisas, não quero supor e acho mesmo que sabes das coragens necessárias para certos saltos.

Desconheço exatamente o que eu quero, mas sei exatamente ao lado de quem desejo descobrir e, mais do que ter, construir. Vivemos em compartilhamento, uma caixa de conversa e entendimento. Aqui e agora, já e imediatamente. Vem parir os dias que são os nossos, dias de entendimento, imensos, plenos de laços.

Os mundos pós aniversários

” Um livro com inícios, meios e fins “

Lionel Shriver escreveu um livro bem, bem, bom. Chama-se ” O mundo pós-aniversário “. Trata de relacionamentos e escolhas. E se Irina (personagem principal, não se deixe enganar pelo nome estranho) fosse por aqui? Ou por ali? Lionel resolve isso de modo brilhante. Ela escreve o que aconteceria se ela fosse por aqui. E o que ocorreria se ela fosse por ali. É um capítulo dedicado a cada escolha, as consequências, alegrias e decepções, envolvimentos, dúvidas, incoerências, certezas e sub-dramas. Você pode viver os dias de sim que Irina diz a um determinado encontro. Ou acompanhar o que se passa quando ela opta pelo não. Tudo entremeado ao dia-a-dia dos personagens e controlado com brilhantes toques de sutilezas, verdades e observações da nossa humanidade. A escritora encontrou uma forma super interessante de contar uma ótima história de encontros e separações em 541 páginas de leitura fácil. A maioria de nós tem saudades das escolhas que não fez, dos caminhos que não percorreu, de como seria, sendo, caso tivesse ido ou fosse, entende?  O livro resolve isso para Irina. Ela tem a possibilidade incrivel de viver plenamente duas escolhas.