Do dia

Recebi o dia, seus dons e desencantos. Feito à muitas mãos, melancia no almoço, trânsito alvoroçado, café com leite e esse céu aí, todo exibido. A foto não mostra tudo, os tons, uns entrando nos outros, uma salata de frutas em pixels. Então imaginei que alegria (uma palavra tão feliz que tem “ria” no final) seja algo sintônico, um vibrato, um ponto de encontro, uma fonte, algo suave e gostoso, uma cosquinha, um carinho, uma brisa em dia de verão, uma canção fácil de cantar, pé no mar, ar, descanso, soneca. Recebi o dia, ele se foi. Mas não levou nada, trouxe devagar uma alegria que se sentou ao meu lado e me faz companhia.