As mulheres da Enaex

O Dia Internacional da Mulher/2018 foi comemorado na Enaex (uma empresa chilena com atuação mundial) com muita diversidade. Modelos de todas as etnias estrelavam as peças, sempre a partir do tema “mulheres são inspiradoras”. Ações internas, redes sociais, ativações, cartazes e palestras cheias
da força feminina fizeram parte do combo de comunicação.

Quem duplou comigo foi o talentoso Ivomar DalPra.



A respeito do tempo

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O absurdo que viraliza, a bolsa que oscila, o saldo do seu Visa. O Bolsonaro, o próximo carro, o espanto, os cursos de Esperanto, o sossego, a continuação de O Segredo, o último Kung Fu Panda, o próximo show do Wando. O escândalo da hora, a hora, o tempo, a parada militar, a primavera árabe, Lula e todos os ídolos de araque, o casual sorridente e o sisudo de fraque.

Aquele sujeito esquisito, a lembrança dos gols do Zico, o preço do palmito, a poesia ruim, as polêmicas com o Chico, zeus e os deuses infinitos. O bem maldito e o mal bem dito, os reis, os Maias, o comprimento das saias, as notas oficiais, os combos, os hashtags e os heróis da Marvel. Esquecidos ilustres, os lustres do Titanic, os sotaques, as meninas, os homens de Marte e as mulheres do interior de Minas, os tiques, o carnê do IPTU, o samba de uma nota só.

O presente, o futuro, os bifes bem passados, os amantes, os abandonados, os farsantes, a taxa Selic, a minha Montblanc, os carinhos da manhã e as conclusões bestas, tipo a maioria das Bics perderam as tampinhas azuis. Logins, senhas, redes, conta da luz. Ultrajes, fronteiras, carro do ano, amores partidos, os mocinhos, os bandidos, as ações da oi e o selo de qualidade da Friboi. Arte, bondade, emprego, verdade, ego, usinas, aviões e sossego. As latas, o luto, a esquerda os reaças. Tudo vai, tudo cai, tudo passa.

 

Cheiro de terra molhada

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Toda vida nasce original, cheia de perguntas, repleta de saltos sobre o impossível. É aos poucos que vamos nos tornando uma produção em série, tomando partidos, partindo de nós mesmos, repetindo refrãos e repartindo certezas absolutas.

Tudo nascimento é uma surpresa se espreguiçando, não há pressa, somos presas fáceis para os risos pendurados no rosto de quem dorme bem. Não se trata de não crescer. Falo de não envelhecer. De resistir com bom humor à tentação de ingressar no clube dos perfeitos, esse lugar que só aceita sócios que gostem de 40 tons de cinza. De respostas fáceis. Dos textos que você entende de prima. De citações da Clarice no Face. De ser de direita ou de esquerda. De escrever tudo em caixa alta. De achar normal a miséria que a racionalidade séria produz em cada esquina do mundo.

Viver é gradiente, não cabe numa equação exata, não exija lógica de uma vida feliz. Coloque uma lupa ali e você vai encontrar decisões estranhas, joelhos machucados, cicatrizes diversas e alguma infelicidade. Parece incoerente? Só no clube dos perfeitos, onde tudo é cinza, há um compromisso fechado com o previsível. A proposta dessa turma é acompanhar você, aplaudir você, entender você, orientar você. Em troca por tanta gentileza, só precisamos transformar nascer, crescer e morrer num processo monótono e sem sobressaltos. O clube dos perfeitos acredita que só uma existência sem imaginação e originalidade vai nos levar ao paraíso certo, onde nos vingaremos dos impuros.

Pessoalmente, não acredito em velas acessas a anjos intermediários. Meu Deus não faz trocas. Ele trabalha como taxista numa cidade do interior e seu maior projeto não é o amor nem o perdão. É o fato de criar almas destinadas a si mesmas, incapazes ao ódio ou ao pecado. Concordo que isso não consola muito quando você vê o amor da sua vida partir. Entendo que sorrir não é o suficiente depois de um tombo feio. No entanto, são momentos. Por mais que doam ou durem, são um instante. Acredite quando digo que há sempre um milagre em curso, a surpresa da chuva, a terra molhada, a alma de tudo surgindo. Não precisamos nem acreditar. Basta saber pra onde não estamos está indo.

PS:

Estou devendo (não nego, pago em seguida) uma crônica sobre o Opala e um post sobre o que senti ao assistir “Show de Truman”. Em breve, tudo será quitado.

Gentes

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Toda pessoa me interessa, o gesto, o gosto e por quem seus sinos dobram. Pessoas são boas, algumas estão obras incompletas: vivem em curvas, sonhando com linhas retas.  Algumas são vestidos, se trocam, se gastam, esvoaçam pela vida, saem de moda, viram tendência ou panos de prato. Há dúzias de carros, centenas de Camaros, milhares de fusquetas, conheço duas ou três que são lambretas. Pessoas me deixam curioso sobre o rumo que tomam e o porque daquilo, o motivo sempre me intriga. Quando se toma a decisão entre ser leão ou viver formiga? Algumas, aos poucos, vão lentamente se afastando de si mesmas, essas me entristecem. Essas desamanhecem, o olho escurece, ficam enlutadas e submergem no silêncio das almas caladas. Corri esse risco, quase morri. Quem me salvou me salvou por amar uma vida que se ia, até que amanheci um dia , mas  ainda não agradeci, pelo menos não como devia. Pessoas são fundamentais, mesmo que eu esteja cada dia mais em dúvida sobre o pra que. O fato certo é que precisamos uns dos outros ou ficamos loucos, ciumentos e cheios de certezas. O que nos salva é a existência de tudo o que nos é  favorável e de todos que nos sãos contrários. É dessa fluxo que surge gente e gente ainda é a melhor saída, a grande chance de encontrarmos vida nos planetas que somos e nessa ilha que navega espaço à fora. Chatas, gordas, altas, cariocas, emergentes. Lindas, tolas, iradas, urgentes. Ainda temos tempo de curar as nossas chagas e de colocar na Terra uma grande placa: Tem Gente, mas há vagas.

Os passos

Recebo, leio e ouço uma avalanche de passos. Parece que há uma receita mágica baseada em números, uma lógica matemática por traz da vida, Deus é um algarítimo. São as 6 coisas que você deve saber sobre o meu ipad. As 8 atitudes que fazem seu chefe sorrir. Os 50 filmes que você deve ver para poder visitar os 100 lugares que devemos conhecer antes de morrer. Tem os 90 livros a serem lidos depois de reencarnar e os 21 pratos típicos dos reis astecas. Acho que essa mania de reduzir as coisas ao seu mínimo começou com os mandamentos, cujo título original era As 10 Mais do Maioral. O cliente não aprovou o título, queria algo mais direto e… bem você conhece a história. Como perder 14 dias em duas semanas, 12,5 truques para ficar irresistível, 8 formas de fazer a prova dos 9, quem guarda tudo isso? E pra que? Não existe um resumo, tipo os 7 passos para aprender a caminhar.  Essa  é melhor notícia, a grande aventura, a felicidade geral da nação. Olha que sorte, a vida não pode ser terceirizada, tem de ser caminhada, vivida, explorada em seus subterrâneos e vielas. Sem um GPS existencial, somos obrigados a encontrar nós mesmos os rumos, desvendar os segredos, aprender a ler nas entrelinhas, evitando ruas escuras ou as iluminando. As marcas, rugas, rinhas e ruídos dos dias são o barulho das coisas respirando,  nem tudo é feliz, nem tudo é chorando. É possível viver na falta total de lógica, na carência absoluta de consistência e na impermanência de tudo, porque é isso que temos. É possível viver sem a auto ajuda resumida dos sábios de livraria. Guias e heróis são inaceitáveis e um afronta à nossa capacidade criativa. Não conheço as 21 respostas pra tudo, mas nenhum cego me orienta. Sei os 50 mil lugares para não ir porque estive neles e estou aqui para não contar a história.