Mariel Fernandes

Vistas do meu Ponto

Posts tagged ‘sempre’

Respostas

Não tem jeito, um texto reflete. Pula de alegria com as vindas de quem ama. Se atordoa com suas partidas, descreve o amor que sente. Mostra que se ressente do afeto distante, da presença faltante. Das falas, passeios, toques, surpresas, passagens de tempo, encontros e seus conexos. Nunca entendi que a felicidade seja algo de acesso pedregulhoso, exigindo um arco só possível a eleitos, heróis, seres especiais. De onde vejo, isso sim é coisa de filme. Eu sei que você concorda porque age assim não mandando para o exílio gestos carinhos, afetos cotidianos, planos, conversas, pequenas proteções, grandes surpresas, fazer a sobremesa preferida, comprar uma lapiseira para quem você quer escrever uma história que possa ser renovada. Nos acostumamos tanto com Hollywood fazemos da vida real não um lugar que moldamos, criamos e construímos à nossa imagem e semelhança, mas um espaço que decoramos, memorizamos textos e rimos às sextas. Sabe o que significa quando digo te amo? Que sinto te amo. Que me melhora te amo. Que me agrada te amo. Que me faz falta te amo. Que confio te amo. Te amo é um signo que abre portas e portais, janelas, novas perspectivas, acalma angústias e se compromete, além de fazer bem para a pele. Te amo é prático, enfático, liberta. Toma remédio, faz exercício, cuida, ouve Bob Dylan e vive o te amo da maneira mais feliz que consegue. Fica triste? Fica triste. Vai embora? Acontece. Mas não parte. Está ali, de algum jeito faz do afeto algo efetivo, assertivo, que chega e toca toda vez que vem. Chega e toca toda vez que fala. Chega e toca toda vez que conta. Chega e toca toda vez, cada vez e sempre. Não é entendimento contínuo, mas a contínua busca pelo espaço comum arejado, onde o outro não deixa de ser o outro por conta de nada e de ninguém, ainda bem por isso. É a vida real do tipo levinha, com alminha serena. Vou ver um filme hoje. Um que tenha passagem de tempo que sempre nos encanta. Com filosofia, que me encanta. Com a vida como ela é, que te encanta. Um onde a trilha seja protagonista, provando que o artista faz para a existência, ainda que isso cause em mim um ciúme dos brabos. Ainda atordoado? Bah em doses sartreanas. Mas somos capazes de nos fortalecer, de nos importar nos amando e protegendo de um modo criativo. De qualquer jeito, concordo em número, gênero e grau: somos melhores ao vivo.

Anúncios

Prometo

Começa a semana e lá vou eu te contar que se a rua fosse minha, eu mandava ladrilhar com pedrinhas de brilhante para você passar. E assim que isso acontecesse, te diria que se roubei o teu coração, tu roubaste o meu também.

O presente de hoje é a lembrança do quanto a inocência surfa no tempo, qualquer tempo e o tempo todo. Muito, sempre e tanto: é assim.

Bom findi

Tem árvore que vai ganhar abraço. (e uns beijinhos)

Sobre palavras e silêncios, preciso te contar que as minhas precisam ser extintas se não forem espaço, abraço, sol ou aconchego. É isso que tenho a dizer porque é o que existe em mim para mostrar, confirmar ou descrever. Se chegam tortas, borradas, estranhas, cobrantes ou insanas não servem nem ao tempo nem ao portal de acesso específico, exclusivo e intransferível que está sempre em construção. Palavras cortantes, acusantes, diminuidoras ou pedintes não são bem-vindas. Vale o mesmo para aquelas que no espaço de paz que visitamos, descrevam qualquer outro artigo que não o bem e o bom contigo. Essas devem seguir para o exílio até sintam e sentindo sejam amor, amizade, afeto, riso, chocolate, bicicleta, gol do Inter, instante, arroz com siri, café de manhã, escurinho, cinema, pipoca, espaço de conversa, fé e desejo. Que o silêncio seja confiança, força, pensamento, crescimento, torcida. Que esteja presença, bolo de fubá, sabiá, beija-flor, árvore de estimação, alguma solidão, um parque, uma vista pra brisa e caminhar na fronteira do mar com a costa. Isso posto, não há espaço de dúvida escrita, dita ou silenciada. Que nossos ditos ou calados em todo momento sejam a dança suave do encontro bom da alma amante com a alma amada.

O presente de hoje é uma lembrancinha de talentos enormes e Antunes. De amores de Montes e carinhos do Carlinhos. Se alguém gostar, o dia melhora.

Feliz

Se alguém desejasse que eu estivesse feliz, diria que a infelicidade exige esforço e eu sou um preguiçoso. É preciso desesperança, um certo rancor, doses de mágoa e falta de amor. Essas coisas devem ser fáceis de ter (há tantos com tanto), mas difíceis de se desfazer (há tantos desejando mais). Então diria que sim, estou feliz por que não há muros e onde existem, pintamos de azul. A felicidade recebida é tanta, tão grande e aconchegante que o momento dura um instante eterno, se prolongando em afetos azulados. Receba o que há de repleto de sim e de teu: é infinito e sempre.

Mercedes diz que é triste. Não percebo assim, só vejo e sinto azul.

Plural no singular

Que a alegria te alcance em sua plena forma e cante algo de ninar. Em silêncio, entre, abaixo, acima e ao lado, o que existe de lindo vai serenar o tempo das esperas, a terra seca e reger os rios flutuantes em tua direção. Guarde o triste no baú dos esquecimentos e perceba: estás naquele momento infinito, o instante eterno em que a noite vai descansar e o dia dá por iniciado um acústico de Deus. Toma um abraço, bebe do simples e espalha o inesquecível. Expressa tua arte, conte tuas vontades, enxerga onde ninguém mais vê. É assim que a vida sorri pra você.

“Smile”, de Chaplin é o meu presente de hoje, um dia depois que cheguei pra derrubar as bancas. Quem canta? Ninguém mais, ninguém menos do que Nat King Cole, a voz que Deus colocou no portfólio pessoal.

Já disse hoje?

Re(pouso)

No Pequeno Príncipe há uma frase que sempre me alerta quanto escrevo: “palavras são fontes maus entendidos”. Por isso, procuro sempre pela exata, a que não deixe dúvidas, a que defina (precisa e artesã) o que preciso descrever. O processo é assimétrico. Reescrevo, me aborreço, tento e canso até que me venha a definitiva, o que nem sempre acontece. Hoje no fim de tarde algo urgente me levou ao texto de ontem. De coração apertado também pela ida do Boechat, passo o texto em revista. As letras mal respiram e as frases perfiladas tremem nas pernas. O que disseram, sussurraram entre crases, o que sugeriram, o que trouxeram? Que mensagem guardam, engravidadas da expressão que precisam parir?

Será deixei nascer palavras como ressentimento, julgamento, mágoa, acusação, distanciamento, soberba ou qualquer outra que não seja eu amo você? Interroguei vírgulas, todas disseram eu amo você. Coloquei aspas contra parede e só ouvi “eu amo você”. Assustei reticências e eu amo você era tudo o que sabiam… Gritei com pontos finais, que repetiam eu amo você, na pluralidade de todos os teus pontos. O que digo precisa expressar eu amo você para que reflita a verdade e ganhe o direito à festa, à esperança, a semelhança, ao fim das distâncias e a comemoração dos reencontros. Para que seja força, vetor, saída e companhia nas caminhadas. Para que surja ninho, para que reflita carinho e inspire compreensão. Essencialmente de si, especialmente do outro e redimindo a nós mesmos pela existência da amizade e do amor ali inspirado.

O presente de hoje, tirando o “pra” de sempre, é com Zélia e Nelson, dois craques mostrando (e dizendo do jeito exato) do que todo amor é feito com a amizade de alicerce. Uma frase perfeita? Cuba é uma ilha cercada de te amar por todos os lados.

%d blogueiros gostam disto: