O amor é à prova D’água

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Está na alma das ventanias essa sede marítima por navios. É da natureza adversa das correntezas diversas o ataque, a surpresa e o barulho assustador das tempestades. No momento do naufrágio, hora das águas, o  frio te acolhe, o calor te abandona e a ilha mais próxima está a uma distância atlântica da vida que havia. O que se verá por um tempo impreciso serão marinheiros singrando por mares difíceis. O resgate depende da rapidez com que se compreende algumas coisas: nenhuma terra é firme. Boiar, às vezes, é a única providência possível. Sobreviver não é o bastante.  Então, no momento que virá no tempo misterioso em que você deixa de se debater e desiste de mandar cartas náufragas a amores distantes. Quando você abre mão do sonho de resgates e ganha calo fazendo a balsa que salva, isso liberta em você o mistério que você mantinha cativo no outro. Se abre então um novo caminho em milagres, onde todo encontro é  feito de um auto perdão profundo e inexplicável. O meu veio sob a forma de um farol iluminando a beleza oceânica da vida. Nada mal para quem tinha medo de nadar.

Fé, irmãos

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Gente, um pouco de subversão, por favor. Alguém arrote no teatro ou passe a mão na bunda do Papa. Por um pouco de indisciplina, está tudo muito certinho, no lugar, bonitinho, cheio de supostas inteligências, parecemos um texto do Bial. Nelson Piquet, ensina a rapaziada como se guanha no braço. Chega dessa coisa aborrecida, tipo fazendo bico, perdendo tempo, criando regras, jogos, estipulando metas, agregando valor, adorando o Eike, tremendo de medo do Roberto Justos. Salve Garrincha, fala Cartola, surja Dona Ruth Cardoso, perdoa Dom Helder, ficamos sem fé no taco da gente, até o Blater começou a nos dar conselhos sábios. Então importamos palavras e gestos, medidas, decisões, nos tornamos sérios, respeitosos, seguidores de slogans, temos opiniões razoáveis, sonhamos esquerda, acordamos direita e na real, perdemos a noção de centro. Elegemos o Tiririca e fingimos surpresa ao ver o circo pegando fogo com o respeitável público dentro. Desliguem as TVs por dois fins de semana seguidos pra ver se as emissoras não melhoram rapidinho a programação do domingo. Mas não aguentamos, aguentamos? Então dê-lhe Faustão. Volta Newmar, reencarna Sartre, orienta Dalai, estamos à deriva, perdemos a graça, ficamos sofisticados demais para simplesmente viver e complexos em demasia para viver simplesmente. Gente, cadê a turma que fez o governo tremer? Quem diria, o Gabeira se entalou na GNT. Precisamos de uma geração inteira dizendo não estudo em colégio ruim, dispenso bolsa esmola, é impossível jogar bola de gravata e Nike, eu sei quem costura suas chuteiras. Por um drible indescritível, por uma cinema incrível, por um livro inesquecível, por um governo que não atrapalhe e por ex-presidentes que consigam ir embora. Precisamos de alguns milhares de homens de muita fé, antes que esses caras que plantam montanhas achem que podem mesmo ganhar o jogo.