Nos representem

Queremos confiar em vocês, rapazes. E meninas, se comportem bem, pode ser? Pelo que vi, nenhum de vocês têm dúvida sobre qualquer assunto. Quanto a isso, por que o medo? É bom não saber, a ignorância pode ser uma maravilha. Nos inspira a pedir informações, falar com pessoas ou, pelo menos, pesquisar no Google. Também não pude deixar de notar a quantidade de opiniões definitivas que cada um é capaz de afirmar sem tirar o olho confiante e o sorriso vencedor da câmera. Do preço do tomate a vaiar ou não vaiar o Fred, vocês sabem tudo, é impressionante. Não olhem agora, mas conhecimento, sozinho, vai fazer pouca coisa por nós. É que o truque de entregar espelhinho e levar o ouro meio que ficou manjado e agora queremos confiar. Eu confio em quem tem dúvidas, em gente capaz de se referenciar na humanidade e não em si mesmo, em pessoas que não possuem todas as respostas. Não confundam isso com amadores, aventureiros e os picareta (não usei o “s” para ser sutil) que lotearam o Brasil. Falo de brasileiros, essas almas gentis que vocês desaprenderam a fazer parte. Conto dessa tribo capaz de dividir os segredos das matas, as mesmas que vocês foram capazes de vender por um punhado de papel de valor duvidoso. Descrevo uma torcida, queremos nos abraçar a vocês, caso sejam de verdade. Sei, é uma pleonasmo usar verdade e candidatos na mesma frase, mas sempre fui abusado. Meninos e meninas, o poder vai marca-los. Dilma ficou ressentida, não ergueram a ela as estátuas que julga merecer. Lula a chamou de poste que ilumina o Brasil e parece que a conta da luz ficou salgada. Marina é a heróica. O problema com os heróis é que eles podem se deslumbrar com seus super poderes. Mas confesso que acho que vai ser divertido ver os ministros abraçando árvores antes do expediente. O Aécio é uma incógnita, parece aqueles garotos que só jogam porque são os donos da bola. Depois, me dá a impressão que antes de dormir ele liga pro FHC, pede benção e toma uma bronca. O restante é uma piada e de piada, Dunga é o bastante. Mas um dos 3 vai ganhar. Que parem de representar e comecem a nos representar. Verão que algo indescritível acontece. É quando surge um Sobral, uma Elis, um Betinho, um Romário, o Brasil. Se inspirem nos brasileiros. Os representem. Pensem neles, não por eles. Então, dentro de algum tempo, vocês verão que não sabiam todas as respostas, mas que isso não nos impediu de escolher quem sabia pra onde não estava indo.

Pra não dizer que não falei das bananas

planeta

Uga, uga, uga!

Estamos na selva, no meio de um tango argentino, as perguntas são cheias de prudência e as respostas repletas de fitas, embaladas pra presente. Retiram os rins uns dos outros, se enfiam facas de um jeito educado, mas algo é certo: um deles dorme pelado.

Eles sabem números, são bilhões, quanquilhintões, uma facilidade impressionante com cifras, um parentesco fantástico com abreviaturas. O BRDA, o SNDZ, o Índice PLA, o caminho do zen. Se engalfinham sorridentes, uga, uga, uga. Querem ser os reis da floresta, a tribo escolhida, os guias supremos dos macacos sem dentes.

Se acusam, se desculpam, procuram piolhos uns nos outros. Batem as mãos nos peitos, uga, uga, uga. Comem qualquer rango sorrindo, cruzam –seguros, maduros e firmes- pelas portas que não vemos, eles têm as chaves dos portais. E nós, os súditos tropicais de um reino supimpa, gritamos hosanas (na falta do Obama), sonhando virar o califado encantado da Xuxa.

Então os dispenso. Não lutem por mim. Não me apontem caminhos. Não me mandem relatórios secretos, se são contra ou a favor da natureza ou do concreto, se sabem da chuva ou vivem de previsões. Nós nos divertimos. Existimos no trabalho. Resistimos nas risadas, muitas causada na imagem hilariante dos debates sem sentido entre vocês. Mando lembranças aqui da República da Macacada de Xanadu. Talvez ninguém nos conheça. Mas a gente sabe quando o rei está nu.